Aposta de Mourinho no FC Porto trabalha para ser treinador

Venceu a Taça UEFA e foi campeão europeu no Dragão, e ainda chegou ao Benfica e à seleção. Marco Ferreira quer agora voltar ao futebol, mas desta vez para se sentar no banco

De Trás-os-Montes para o mundo, eis a história de Marco Ferreira, antigo extremo natural de Vimioso que passou por V. Setúbal, FC Porto, V. Guimarães e Benfica, entre outros. Aos 18 anos, saiu da terra natal para se tornar futebolista profissional, no Tirsense, então orientado por Eurico Gomes na II Liga. Mais de duas décadas depois, está prestes a deixar Bragança, onde reside, para voltar a Lisboa, com o objetivo de tirar os terceiro e quarto níveis do curso de treinador, para posteriormente exercer.

"Está complicado, porque passei os últimos quatro anos a tirar os dois primeiros níveis do curso. Agora pretendo deslocar-me para Lisboa para tirar o terceiro nível e estar mais perto da minha filha", contou ao DN o ex-jogador, agora com 39 anos. "Não tenho conciliado o curso com mais nada. Tive uns negócios de aluguer de casas e um spa, mas já os passei", acrescentou este internacional português por três vezes, que quer começar como adjunto de "alguém conhecido".

Enquanto esse momento não chega, Marco Ferreira vai aumentando as saudades do cheiro da relva e do balneário. "É sempre difícil para quem passou tantos anos no futebol, foi colega de craques mundiais e que teve o sucesso que tive no FC Porto. É complicado quando se termina a carreira e ficamos sem isso", desabafou o transmontano, que pendurou as botas em 2010, após ter representado os gregos do Ethnikos Piraeus durante duas temporadas.


Tirsense, Atl. Madrid e Japão
Mesmo tendo conquistado a Taça UEFA e a Liga dos Campeões ao serviço do FC Porto, Marco Ferreira não esquece os primeiros passos no futebol, na altura de eleger os momentos mais altos da carreira. "Saí de um sítio de onde era complicado alguém sair e conseguir singrar, como a zona de Bragança. Quando cheguei ao Tirsense foi um momento alto, porque me tornei profissional, pela mão de Eurico Gomes", recordou.

O mesmo treinador indicou-o ao Atlético Madrid, em 1997. "Fui lá treinar e acabei por ficar. Foi aí que conheci o Futre e criámos uma grande amizade. Assim que ele soube que estava um português no clube, acolheu-me da melhor forma. Depois, fomos os dois para o Yokohama Flugels", relatou, lembrando a "história gira" que o levou para o Japão. "Fui convocado para um jogo da Taça do Rei e, durante o aquecimento, o José Mari lesionou-se. O treinador, Radomir Antic, acabou por me dar a titularidade. O Futre também jogou, e estava a ser observado por um dirigente do Yokohama, que foi a Espanha para lhe avaliar a condição física, uma vez que ele vinha de várias lesões. O jogo correu-me bem e acabei por ir para o Japão com o Futre, mas fiquei lá apenas dois meses. Ainda era muito jovem para ir para um campeonato para onde iam jogadores em final de carreira", explicou, puxando a cassete atrás.

Descida e título na mesma época

De regresso a Portugal, Marco Ferreira passou uma temporada no Paços de Ferreira antes de se estrear na I Liga pelo Vitória de Setúbal, em 1999/00. "Foi onde comecei a ter protagonismo", lembrou aquele que, ainda hoje, é o último futebolista vitoriano a ter representado a seleção nacional. "Por acaso sabia disso. Quando fui chamado, falava-se que o Vitória não tinha alguém na seleção há muito tempo, e que o anterior jogador a ser chamado tinha sido o Hélio, que era meu colega. A partir daí, fui estando atento", confessou o antigo extremo, que em janeiro de 2003 se transferiu para o FC Porto.

"Tinha várias soluções para a minha carreira e propostas muito superiores, mas acabei por ir para o FC Porto porque o Mourinho era de Setúbal e já me acompanhava há algum tempo", contou, relembrando uma temporada na qual acabou por ser despromovido pelos sadinos e campeão nacional e vencedor da Taça de Portugal e da Taça UEFA pelos azuis e brancos.

Para a conquista da prova europeia, até teve um papel preponderante no golo decisivo diante do Celtic, na final de Sevilha. "Foi a festa mais bonita que vivi até hoje, apesar de termos sido campeões europeus no ano seguinte. Havia um grande ambiente, com toda aquela romaria de adeptos até Sevilha", afirmou, sem esquecer o homem do leme. "Mourinho ainda hoje tenta fazer muito do que já fazia há 15 anos. Ele já estava adiantado. É o melhor do mundo, ou um dos melhores, e consegue controlar todas as áreas do futebol", elogiou o antigo pupilo do Special One, que também atribui muito mérito à estrutura liderada por Pinto da Costa e ao capitão Jorge Costa, que "protegia colegas, clube e treinador até à morte".

FC Porto e Benfica no coração

Marco Ferreira foi campeão europeu pelo FC Porto em 2004, mas não mais voltou a vestir a camisola azul e branca. Esteve emprestado ao V. Guimarães e passou pelo Penafiel antes de voltar a um grande, o Benfica, onde foi treinado por Ronald Koeman e Fernando Santos. Contudo, o extremo não vingou ao serviço dos encarnados. Esteve emprestado aos ingleses do Leicester e ao Belenenses, onde reencontrou Jorge Jesus, que já o tinha orientado no Bonfim. Depois, seguiram-se as derradeiras duas épocas da carreira, na Grécia. "Não posso dizer que tenho clube. Tenho paixão enorme por todos os clubes pelos quais passei. Quero que eles e os meus amigos ganhem sempre", rematou.

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