Sérgio Conceição sobre agressões no Sporting: "São vândalos, isto não é o futebol"

Treinador do FC Porto lamentou os acontecimentos de terça-feira, na Academia leonino, durante uma entrevista ao Porto Canal. Além disso elogiou Marega e Sérgio Oliveira.

Isaura Almeida
Jorge Jesus e Sérgio Conceição vão ter mais uma batalha tática em Alvalade, onde terminaram aos abraços o primeiro clássico da temporada entre ambos© Octavio Passos/Global Imagens

Sérgio Conceição comentou os episódios ocorridos em Alcochete, na passada terça-feira. "É de lamentar. É um caso de polícia. São vândalos, isto não é o futebol. É outra coisa que não é o futebol. Nem sei como etiquetar isto. É tão repugnante, sinceramente nem sei o que dizer. Os jogadores têm famílias, independentemente da boa ou má prestação. Há uma vida para além da paixão futebolística e clubística. Sinto-me mal a ver essas imagens. Mexe comigo. Enviei uma mensagem a Jorge Jesus. Ainda não falei com ele", disse o treinador do FC Porto, em entrevista ao Porto Canal esta quarta-feira.

O técnico dos dragões abordou ainda o desempenho de Moussa Marega no campeonato conquistado pelo FC Porto, com 22 golos em 29 jornadas da I Liga: "Acompanhava o Marega desde o Marítimo, conhecia a qualidade dele. Quando estava no Nantes, o Marega constava num relatório que deixei ao presidente para ser reforço para esta época. Tem características que eu gosto num jogador, velocidade e intensidade. Disseram que o Marega era só de transição e comecei a rir, sinceramente. A velocidade de 30 metros pode ser velocidade de 100 metros. Houve muito mérito do Marega em trabalhar e aceitar o que dissemos para melhorar. Grande parte do mérito é dele."

Sérgio Conceição falou ainda sobre Sérgio Oliveira, outra das revelações da equipa dos portistas na presente temporada. "Faltava-lhe alguma intensidade e mudança de ritmo e ele foi humilde e trabalhador ao ponto de, já depois de algumas conversas comigo e de algum mau estar, quase conseguir levá-lo ao desespero para depois tirar o melhor dele", contou.

E admitiu que após a derrota em Belém sentiu que o FC Porto estava perto de conquistar o título. "Foram momentos difíceis. Existiram outros a nível interno no que diz respeito à dinâmica do grupo. As poucas derrotas que tivemos foram momentos complicados. A derrota de Belém afetou o grupo, mas foi ali que senti que estávamos muito perto de ganhar o título. Lembro-me de uma hora e meia depois, creio e nenhum jogador tinha tomado banho. Os jogadores estavam todos a olhar olhos nos olhos e a dizer umas verdades. Depois de eu falar. Isso para mim foi um sinal muito forte do que o que o grupo queria. Tinha a certeza que íamos dar tudo, lutar muito. A energia positiva que senti no meio da dificuldade. Conheci muitos grupos como jogador e já tenho alguma experiência como treinador, mas esse momento vai-me ficar marcado para toda a vida. Acho que foi fundamental para a conquista do título", confessou o técnico campeão.