Rui Costa venceu a única Champions sem clubes portugueses

FOI ASSIM QUE ACONTECEU... HÁ 15 ANOS

David Pereira

Pela primeira e única vez desde que se chama Liga dos Campeões (1992-93), a prova não contou com a presença de qualquer equipa portuguesa na fase de grupos em 2002-03. Nessa época, o campeão Sporting precisou de jogar a terceira pré-eliminatória, mas foi afastado pelo Inter de Milão. O vice-campeão Boavista também esteve na fase preliminar, mas depois de eliminar os malteses do Hibernians acabou por cair na terceira pré-eliminatória, aos pés dos franceses do Auxerre. Ambos foram recambiados para a então Taça UEFA, que acabou por ser conquistada pelo... FC Porto.

O interesse nacional na Champions ficou então remetido ao espetáculo e aos cinco jogadores lusos que disputaram a prova: Luís Figo (Real Madrid), Rui Costa (AC Milan), Sérgio Conceição (Inter), Jorge Andrade (Deportivo) e Hugo Viana (Newcastle).

Em plena era dos galácticos, os madridistas eram os detentores do título e apontados como favoritos, mas ficaram às portas da final. O carrasco foi a Juventus, que se vingou da derrota no jogo decisivo de 1998 e carimbou o passaporte para a única final italiana da história da Taça/Liga dos Campeões - e segunda entre equipas do mesmo país, depois do duelo entre Real Madrid e Valência em 2000 -, diante do AC Milan, em Old Trafford, na cidade inglesa de Manchester, a 28 de maio de 2003.

Num encontro também marcado pela ausência por suspensão de um dos grandes craques da vecchia signora, o checo Pavel Nedved, fez-se jus à velha escola do catenaccio, registando-se um nulo no final dos 90 minutos e do prolongamento.

No culminar de um início de jogo muito intenso, os milaneses viram um golo de Andriy Shevchenko ser anulado por um fora-de-jogo posicional de Rui Costa, que no entender do árbitro alemão Markus Merk estaria a tapar o campo de visão de Gianluigi Buffon. Seguiu-se um longo período sem oportunidades para os dois lados, até que no segundo tempo o bianconero Antonio Conte e o rossonero Andrea Pirlo acertaram nos ferros das balizas adversárias. Os dois lances emotivos foram um aparte, uma vez que ambas as equipas voltaram a fazer marcha-atrás, adiando a decisão do vencedor para as grandes penalidades.

Já sem Rui Costa em campo, substituído aos 87 minutos por Massimo Ambrosini, os milaneses foram mais fortes no desempate por penáltis, vencendo por 3-2. Buffon, que nessa noite perdeu a primeira de três finais da Champions na carreira, defendeu os remates de Clarence Seedorf e Kakha Kaladze, contudo, o brasileiro Dida ainda conseguiu melhor, travando as tentativas de David Trezeguet, Marcelo Zalayeta e Paolo Montero. O pontapé decisivo coube a Andriy Shevchenko, que se tornou o primeiro futebolista ucraniano a sagrar-se campeão europeu e garantiu a sexta Champions para o AC Milan.

Já o maestro não foi o primeiro português a conquistar a Liga dos Campeões, mas alcançou em Old Trafford o ponto mais alto da carreira, contribuindo com cinco assistências para a vitória - foi o melhor nesse capítulo, a par de Pablo Aimar, então no Valência. "Tanto no primeiro como no segundo tempo, com todo o respeito pela Juventus, penso que fomos superior. É mau perder ou ganhar nos penáltis, mas no final ganhou a melhor equipa", afirmou Rui Costa já de medalha ao peito.

Também de medalha de ouro da Champions ao peito, mas pelo terceiro clube, estava o holandês Clarence Seedorf, que nessa noite estabeleceu um recorde que ainda perdura. Antes, tinha vencido a competição mais prestigiante da UEFA pelo Ajax (1994-95) e Real Madrid (1997-98).