Messi, Bale e Robben são estrelas em risco para o Mundial 2018

Trio de esquerdinos talentosos pode falhar a presença no principal palco do futebol mundial, no próximo ano, na Rússia, devido à fraca campanha das respetivas seleções

Rui Frias
© REUTERS/Marcos Brindicci

A recente jornada de seleções na caminhada de qualificação para o Mundial de 2018 deu à estampa o renascido Brasil de Tite como o primeiro país com passaporte carimbado em campo para essa viagem até à Rússia. Neymar e companhia já podem celebrar, mas a última data FIFA fez levantar preocupações em relação à possível ausência de outros grandes nomes do futebol mundial. Com Messi à cabeça.

A estrela argentina e do Barcelona viu, desde fora, a sua seleção cair na altitude de La Paz, na Bolívia (por 2-0), e tombar para o quinto lugar na zona sul-americana (CONMEBOL), no limite do risco. Mas Messi não é o único grande nome sob ameaça nesta altura. Na Europa, há outros dois talentosos esquerdinos em situação ainda pior: Gareth Bale (País de Gales) e Arjen Robben (Holanda), cujas seleções estão atualmente fora dos lugares que podem dar acesso ao mundial.

No caso de Messi, o atual quinto lugar da Argentina na qualificação sul-americana ainda dá acesso ao play-off intercontinental contra o vencedor da zona da Oceânia, onde a Nova Zelândia é a seleção mais cotada desde que a Austrália passou a disputar a qualificação asiática. Mas o cenário alviceleste ficou bem mais sombrio com o pesado castigo aplicado pela FIFA à grande estrela argentina.

Messi foi suspenso por quatro partidas, na sequência de insultos a um árbitro auxiliar, e já falhou, por isso, o jogo na Bolívia. Se o castigo não for revisto [a Argentina anunciou recurso], o jogador do Barça falhará ainda a deslocação ao Uruguai e as receções a Venezuela e Peru, regressando apenas para a última jornada de apuramento, no Equador.

Ora, sem Messi, a Argentina não é a mesma coisa, diz-nos o senso comum e prova-o a estatística. Sem o seu capitão, a seleção atualmente dirigida por Edgardo Bauza obteve apenas 7 pontos em 24 possíveis nesta qualificação; com Messi no relvado, cinco vitórias em seis partidas. Com 22 pontos após 14 jornadas, a Argentina tem apenas dois pontos de vantagem sobre o Equador, sexto classificado.

Na zona europeia, a grande estrela em risco é o galês Gareth Bale, do Real Madrid. Depois de ter caído apenas aos pés de Portugal, nas meias-finais, na sua primeira participação num Europeu, no verão passado, o País de Gales está agora em dificuldades para assegurar um dos dois primeiros lugares no grupo D de qualificação para o Mundial 2018, somando sete pontos em cinco jornadas, quatro pontos menos do que Sérvia e Rep. Irlanda.

Também o veterano holandês Arjen Robben arrisca deixar fugir aquela que é provavelmente, aos 33 anos, a última oportunidade para jogar mais um Mundial. O jogador do Bayern é vítima da desilusão laranja no competitivo grupo A, que valeu já o despedimento do selecionador Danny Blind. A Holanda é apenas quarta classificada, com sete pontos, atrás de França (13), Suécia (10) e Bulgária (9).

Lembre-se que, na zona europeia, os vencedores dos nove grupos têm qualificação direta enquanto os oito melhores segundos classificados vão jogar um play-off para decidir as quatro vagas restantes. O que, em rigor, deixa também nesta altura sob ameaça todas as estrelas e seleções classificadas no segundo lugar dos respetivos grupos. Entre as quais estão... Cristiano Ronaldo e a seleção portuguesa.

Em África, o principal craque ameaçado com a ausência no próximo Mundial da Rússia é o avançado do Borussia Dortmund Pierre-Emerick Aubameyang, cuja seleção do Gabão é terceira no grupo C, liderado pela Costa do Marfim.

Se a campanha de qualificação tivesse terminado agora, o próximo campeonato do mundo também não teria o melhor jogador asiático da atualidade. Os Emirados Árabes Unidos, seleção do criativo médio Omar Abdulrahman, estão apenas no quarto lugar do grupo B, a quatro pontos já da Austrália, terceira classificada [lugar que dá acesso à quarta ronda da zona asiática].