Froome assegura ter seguido conselhos médicos no tratamento da asma

"É do conhecimento do público que tenho asma e eu conheço detalhadamente as regras", refere o vencedor da Vuelta

DN/Lusa
O ciclista britânico, Chris Froome© EPA/Javier Lizon

O britânico Chris Froome, que acusou positivo num controlo antidoping na Volta a Espanha em bicicleta de 2017, assegurou hoje, em comunicado, ter "seguido os conselhos do médico da equipa" Sky, para aumentar a dosagem face ao agravamento da sua asma.

"A minha asma acentuou-se na Vuelta, pelo que segui os conselhos do médico da equipa para aumentar as minhas doses de salbutamol. Como sempre, tomei as maiores precauções para garantir que não excedia as doses permitidas", afirmou Froome, que venceu a Vuelta, em setembro, depois de, em julho, ter reeditado os triunfos no Tour de 2013, 2015 e 2016.

A União Ciclista Internacional (UCI) confirmou hoje o controlo antidoping adverso a Froome, no caso o broncodilatador salbutamol, numa análise à urina feita em 07 de setembro, durante a última edição da Vuelta. O organismo diz ter notificado o corredor em 20 de setembro, acrescentando que a contra-análise confirmou a presença da substância acima do admitido para uso terapêutico.

"É do conhecimento público que tenho asma e eu conheço detalhadamente as regras. Eu utilizo um inalador para atenuar os sintomas (sempre dentro dos limites permitidos) e sei que sou, obviamente, controlado em cada dia que uso a camisola de líder", referiu Froome, acrescentado ter fornecido à UCI "toda a informação solicitada".

Segundo a equipa Sky, "as análises indicam a presença de salbutamol a uma concentração de 2.000 nanogramas por mililitro", o dobro do autorizado pela Agência Mundial Antidopagem (AMA).

"A UCI informou Chris que uma análise à urina realizada em 07 de setembro de 2017, após a 18.º etapa da Vuelta [Froome liderou a corrida a partir da terceira tirada], revelou uma concentração de salbutamol acima do limite, exigindo informações que confirmassem que não inalou mais do que a dose permitida", acrescentou a Sky.

A formação britânica salientou que o resultado não significa que Froome tenha violando as regras antidopagem e o responsável pela equipa, Dave Brailsford, sublinhou "ter a maior confiança que Chris seguiu orientação médica no tratamento dos sintomas da asma, permanecendo dentro das doses permitidas de salbutamol", até porque nenhuma das outras 20 análises "necessitaram de qualquer esclarecimento".

O organismo acrescenta que atendendo à substância em causa o corredor não incorre numa suspensão provisória obrigatória. Salbutamol é utilizado para tratar doenças como asma ou doença pulmonar obstrutiva crónica, podendo também ser usado como doping para melhorar a resistência.

O tetracampeão do Tour, de 32 anos, venceu pela primeira vez a Volta a Espanha, depois de dois segundos lugares, em 2011 e 2014, à frente do italiano Vincenzo Nibali (Bahrain-Merida), segundo classificado, e do russo Ilnur Zakarin (Katusha Alpecin), terceiro.

Froome, que pode perder o título da corrida espanhola e arrisca uma suspensão, anunciou recentemente a vontade de disputar a edição de 2018 da Volta a Itália, para conquistar uma terceira 'Grande Volta' seguida.