"Devia retirar-me já. Nunca vou ser capaz de igualar este momento"

Sloane Stephens conseguiu o inimaginável: dois meses depois de regressar aos courts, após uma longa ausência, venceu o US Open

Rui Marques Simões
Sloane Stephens conquistou o quinto título da carreira, primeiro num torneio do Grand Slam© John G. Mabanglo / EPA

O ar de espanto de Sloane Stephens ao receber o cheque de 3,7 milhões de dólares entregue à vencedora do US Open ("O quê? Oh meu Deus...", parece dizer) resume bem o que foi a inesperada ascensão da tenista americana até à conquista do seu primeiro título do Grand Slam. Após quase um ano de ausência, e apenas dois meses depois de ter regressado aos courts, a n.º 83 do ranking WTA surpreendeu até a si própria. "Devia retirar-me já. Nunca vou ser capaz de igualar este momento", afirmou, após vencer a compatriota Madison Keys (6-3 e 6-0), anteontem à noite, na final do torneio nova-iorquino.

Pela primeira vez, desde 2014, o ano vai terminar com quatro vencedoras diferentes nos Grand Slam do circuito feminino: Serena Williams (Austrália), Jelena Ostapenko (Roland Garros), Garbiñe Muguruza (Wimbledon) e Sloane Stephens (US Open). E, como último capítulo da montanha-russa de emoções deste 2017,viveu-se um autêntico conto de fadas. Sloane Stephens (foi semifinalista do Open da Austrália e n.º11 do ranking em 2013) era uma velha promessa caída em descrédito, após ter passado 11 meses ausente da competição devido a uma lesão no pé direito. Há seis semanas, estava no 957.º lugar da tabela WTA, mas iniciou um inimaginável percurso de redenção, que a leva a aparecer hoje - na atualização da hierarquia mundial - na 17.ª posição.

"É incrível. Passei por uma operação [ao pé] a 23 de janeiro e, se alguém me tivesse dito que ia ganhar o US Open, teria respondido que era totalmente impossível", confessou a tenista, de 24 anos, que se tornou a segunda não cabeça-de-série a vencer em Flushing Meadows na era open (Kim Clijsters fê-lo em 2009, num regresso triunfal após ser mãe). "Tudo isto foi fantástico e não o trocaria por nada deste mundo", acrescentou Stephens, após agradecer à "equipa incrível" que a acompanhou na ascensão ao topo.

Contudo, Sloane - filha de uma nadadora (Sybil Smith) e de um jogador de futebol americano (John Stephens) e namorada de uma estrela do soccer dos EUA (Jozy Altidore) - atrasou a festa. Primeiro, quis consolar a desolada Madison Keys, também estreante em finais de majors: "Somos das melhores amigas no circuito e não queria ter jogado com mais ninguém, esta noite, do que contra ela. Foi um momento especial para ambas e gostava que pudesse haver um empate."

O empate não era possível. Mas aconteceu um desfecho realmente inesperado há duas semanas, no início do torneio nova-iorquino. E, no final, mais do que a surpresa da vitória - após deixar pelo caminho figuras do top20 mundial como Dominika Cibulkova, Anastasija Sevastova e Venus Williams -, o que fez a tenista estado-unidense arregalar os olhos foi o cheque com o prémio de 3,7 milhões de dólares (cerca de 3,1 milhões de euros): é quase tanto como acumulara de prize money em dez anos de profissionalismo (4,5 milhões de dólares).