Cervi deu asas ao voo da águia: Benfica é líder à condição

Encarnados marcaram cedo, mas sofreram para vencer em Portimão. Extremo argentino bisou e desbloqueou a partida (de livre direto), após a reação dos alvinegros. Jonas saiu lesionado

Rui Marques Simões
Frente ao Portimonense, Cervi bisou pela primeira vez na carreira© António Cotrim / Lusa

No futebol, não vale a pena tirar conclusões precipitadas. Ontem, quem visse o Benfica marcar cedo e anular por completo o Portimonense na fase em que costuma ser mais perigoso (a primeira meia hora de jogo), julgaria que a partida estava resolvida. Contudo, não foi isso que aconteceu no Algarve: o emblema encarnado ganhou, sim (1-3), mas sofreu até final. E só Franco Cervi deu asas ao voo da águia até ao 1.º lugar da campeonato (à condição).

O jogo, da 22.ª jornada da I Liga, não teve o guião que seria previsível a partir do momento em que Cervi, ao minuto 6, rematou cruzado para o fundo das redes defendidas por Ricardo Ferreira. O Benfica - equipa que mais golos faz nos 15 primeiros minutos de jogo, no campeonato (11, contra oito do Sporting e sete do Portimonense) - começou o encontro de forma mandona: instalou-se no meio-campo dos algarvios, travou as suas saídas em transições rápidas, e foi criando perigo. Cervi rematou à figura aos 11"; dois disparos de Jonas (22") e André Almeida (25") foram bloqueados pelos defesas alvinegros.

Sem golos nem aproximações à baliza de Bruno Varela até à meia-hora de jogo, o Portimonense - que chegara aos 3-0 contra Rio Ave e Marítimo (nas duas últimas jornadas) no primeiro terço da partida - parecia derrubado. No entanto, a equipa treinada por Vítor Oliveira reergueu-se a partir do minuto 35, ganhando mais duelos no meio-campo e passando a ter mais posse de bola. Ewerton deu o primeiro aviso, aos 42", num remate para as luvas de Bruno Varela (prensado em Jardel).

O cenário alternativo confirmou-se a meio da segunda parte. Depois de 30 minutos mais divididos (com André Almeida a desperdiçar o 0-2, à boca da baliza, aos 55"), o empate chegou aos 65". De cabeça, na sequência de um canto, Felipe Macedo fez o primeiro golo da sua carreira profissional.
O 1-1 seguiu-se a outra contrariedade para o Benfica: aos 64", Jonas saíra lesionado, no joelho esquerdo (substituído por Raúl Jiménez). E, sem o goleador brasileiro - que interrompeu uma série de dez jogos seguidos a marcar -, o caminho para a baliza do Portimonense parecia ainda mais estreito.

Aos 71", Ricardo Ferreira defendeu, a dois tempos, um remate de André Almeida. Aos 73", Rafa atirou ao lado. E, aos 75", Fede Varela avisou que o golo podia aparecer em qualquer das balizas (embora o seu remate, a passe de Bruno Tabata, tenha saído bastante torto...).
O tempo começava a escassear, para o Benfica. Todavia, dois minutos depois, Cervi resolveu o jogo com toda a simplicidade: de livre direto, rematou em arco, sem hipóteses para Ricardo Ferreira - um golaço. E, a partir daí, o emblema da águia - já com Samaris em campo, para recuperar o controlo do miolo - reassumiu a gestão do resultado. Aos 90+5", quando o Portimonense procurava desalmadamente o empate, Zivkovic acabou com a contenda, fazendo o 1-3, na recarga a um primeiro remate seu, após combinar com o recém-entrado Diogo Gonçalves.

Não foi tão simples como o golo madrugador de Cervi fazia prever. Mas, apesar das dificuldades criadas pelo Portimonense (principalmente, enquanto Nakajima esteve em campo), foi a vitória de que o Benfica precisava para assumir - a título provisório - a liderança da I Liga. Os encarnados têm agora 53 pontos e ficam à espera do que fazem hoje FC Porto (52) e Sporting (50) - sendo que os dragões ainda têm em atraso a segunda parte da partida no Estoril. O Portimonense segue tranquilo, em 11.º lugar, e promete dificultar a vida aos outros grandes, que ainda terão de visitar o recinto algarvio.