'Auf Wiedersehen' do campeão confirma maldição recente

Grupo F. Alemanha cai na fase de grupos, tal como Itália em 2010 e Espanha em 2014, após derrota com Coreia. México e Suécia nos oitavos

Quatro anos depois de ter goleado o Brasil por 7-1 nas meias-finais, a Alemanha voltou a protagonizar um resultado chocante num Campeonato do Mundo, desta vez ao ser derrotada pela Coreia do Sul (0-2), numa partida que ditou não só a precoce eliminação no torneio como o quarto e último lugar na fase de grupos.

Afinal, os alemães não são infalíveis, não sendo capazes de fugir à maldição recente que tem afetado os campeões do mundo nos torneios em que defendem o título. Ao dizerem auf wiedersehen [adeus] ainda na primeira fase - algo que só lhes tinha acontecido em 1938 -, imitam o destino de Espanha em 2014, Itália em 2010 e França em 2002. Tudo somado, quatro dos últimos cinco vencedores - incluindo os derradeiros três - caíram na fase de grupos do Mundial seguinte. Antes, só Itália em 1950 e Brasil em 1966 tinham sido eliminados primeira fase.

Os germânicos tinham chegado pelo menos às meias-finais de grandes competições desde 2005 - em três Taças das Confederações, três Mundiais e três Europeus - e aos quartos de final de Campeonatos do Mundo desde 1982, mas desta vez, pela segunda vez na história, ficaram na cauda do seu grupo, imitando o que haviam feito no Euro 2000.

É verdade que as exibições nos dois primeiros jogos, diante de México (0-1) e Suécia (2-1), deixaram muito a desejar, mas pouco fazia prever este desfecho. Os homens de Joachim Low apenas precisavam de fazer o que sempre fizeram frente a seleções da Confederação Asiática (AFC) em Mundiais: vencer. Foi assim como Emirados Árabes Unidos em 1990 (4-1), Coreia do Sul em 1994 (3-2) e 2002 (1-0), Irão em 1998 (2-0) e Austrália em 2010 (4-0). E, desta feita, até tinham pela frente uma seleção coreana com remotas possibilidades de chegar aos oitavos de final - tinha de ganhar à Alemanha, esperar que o México vencesse a Suécia e ter melhor diferença de golos do que germânicos e nórdicos no final - e que só apresentou no onze inicial dois jogadores a atuar na Europa - Koo Ja-cheol (Augsburgo) e Son Heung-min (Tottenham).

Contudo, o improvável aconteceu, e o triunfo dos asiáticos até começou a ser construído numa fase em que os suecos já venciam o outro jogo do grupo por 3-0, ou seja, precisamente quando a Coreia do Sul já nem sonhava com o apuramento para os oitavos de final. Depois de 90 minutos de ritmo lento por parte da Alemanha (apesar dos cerca de 75% de posse de bola), de alguns contra-ataques venenosos dos asiáticos, a seleção orientada por Shin Tae-Yong chegou ao golo aos 90+2", por Kim Young-Gwon, num lance inicialmente anulado pelo árbitro assistente, por suposto fora de jogo, e posteriormente validado pelo videoárbitro.

A precisar de dois golos para seguir em frente, a mannschaft lançou-se desesperadamente no ataque, fazendo Manuel Neuer atuar como um autêntico avançado. No entanto, a falta de alguém na baliza traiu os germânicos, que sofreram o segundo golo aos 90+7", cortesia da estrela coreana Son Heung-min.

Festa e recorde de amarelo

Num jogo que ficou marcado por uma festa sueca pintada em tons de amarelo, o jogo começou com um recorde de... cartão amarelo mais rápido da história dos Mundiais A marca pertence ao mexicano Jesús Gallardo, que foi advertido logo aos 15 segundos, por atingir Ola Toivonen com o cotovelo.

Esse foi o principal destaque de uma primeira parte sem golos. Na segunda, os nórdicos colocaram o pé no acelerador e marcaram por três vezes, carimbando o apuramento para os oitavos de final. Augustinsson inaugurou o marcador aos 50 minutos, Granqvist ampliou aos 62" de grande penalidade e Edson Álvarez, na própria baliza, fechou as contas aos 74".

Apesar da pesada derrota, a seleção dos portistas Miguel Layún e Héctor Herrera e do benfiquista (em 2018/19 cedido ao Wolverhampton) Raúl Jiménez garantiu a passagem aos oitavos pela 8.ª vez consecutiva.

Jogos e resultados do dia:

México - Suécia (0-3, a decorrer)

Coreia do Sul - Alemanha (2-0, a decorrer)

Sérvia - Brasil (19.00)

Suíça - Costa Rica (19.00)

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