20 anos e vice-campeão mundial. Quem é Miguel Oliveira

Conheça o talento do jovem piloto de Almada

Aos 20 anos, e com cinco de experiência no Moto3, Miguel Oliveira (KTM) sagrou-se vice-campeão mundial, perdendo apenas por seis pontos para o britânico Danny Kent, numa época em que acabou por confirmar a promoção para a categoria intermédia, o Moto2, passo importante rumo ao seu sonho assumido: o MotoGP.

Sob influência do seu pai, Paulo Oliveira, também ele antigo piloto e confesso apaixonado por velocidade, Miguel teve aos três anos o seu primeiro contacto com uma mota. Numa primeira fase, uma moto4 elétrica e depois, já mais a sério, uma de 50 centímetros cúbicos.

Depois da aprendizagem, a competição entrou na vida de Miguel Oliveira aos nove anos. Em 2004, o jovem piloto, que pelo meio tentou a sorte nos karts, voltou às duas rodas para competir no campeonato nacional MiniGP.

O bom desempenho (quarto lugar) valeu a Oliveira a nomeação para Jovem Promessa pela Confederação Nacional do Desporto e, mais importante, abriu-lhe os horizontes espanhóis, país no qual começou a competir no ano seguinte no Campeonato de Madrid.

Uma vez mais, o seu pai voltou a ser a peça chave no que viria a ser a carreira de Miguel. Foi ele o primeiro a perceber, também por experiência própria, que Portugal era 'pequeno' demais para potenciar o talento que via diante dos seus olhos.

Os sucessos não tardaram a chegar nas categorias jovens. Mas, foi em aqui ao 'lado', em Espanha, num país tão perto em distância quanto longínquo em cultura desportiva, que Miguel Oliveira passou a competir. Lá, encontrou os apoios necessários e desafios certos para seguir com o que diz ser, desde sempre, o seu desporto de eleição.

O campeonato espanhol de velocidade, no qual se estreou em 2009, acabou por ser a grande 'montra' para Miguel Oliveira, que simultaneamente disputou nesse ano o campeonato europeu, terminando em terceiro e quinto, respetivamente.

Em 2010, lutou pelo título espanhol, terminando como vice-campeão, a dois pontos de Maverick Viñales. Na mesma posição, terminou também o campeonato europeu.

No final do ano, tanto Oliveira como Viñales acabaram promovidos à categoria 125cc, antiga designação para o que hoje se conhece por Moto3. Estava, assim, aberta a porta para o mundial.

O convite chegou da Aprilia, mas o ano de estreia as coisas não correram pelo melhor. A falta de apoios da equipa, que fez com nem completasse toda a época, podia ter sido fatal para o piloto de Almada, até porque se sabe que nestas 'coisas' das corridas, por vezes, o mais difícil não é entrar, mas sim ficar e triunfar.

E foi o talento que segurou o piloto de Almada. Foi assim na primeira época, e repetiu-se na segunda, até ao primeiro pódio (terceiro lugar no GP da Catalunha), então ao volante de uma Suter-Honda.

Depois de duas épocas na indiana Mahindra, o ano de 2015, com a saída de Jack Miller para o MotoGP, dá-se a grande oportunidade de Oliveira. O português ocupou a vaga do australiano na equipa oficial KTM e chegou finalmente a uma equipa de topo, capaz de lhe proporcionar condições para rodar frequentemente nos lugares da frente.

Depois de um início de época difícil, com quedas e desistências, em maio, no Circuito de Mugello, em Itália, ouviu-se pela primeira vez 'a portuguesa' num mundial de motociclismo.

Oliveira depressa se 'habituou' a vencer e 'faixa' com hino português ouviu-se seis vezes durante o ano. Fechou como 'vice' e despede-se do Moto3 com seis triunfos, quatro segundos lugares e três terceiros, em 79 corridas, para um total de 672 pontos.

Com uma 'naturalidade' anormal para os padrões portugueses, a evolução de Oliveira, que um dia se vê como médico dentista, foi uma constante na ainda curta carreira do almadense e hoje já se espera por 2016 para o ver competir no Moto2.

"Não há dúvida que o Miguel tem um enorme talento e potencial e irá encaixar na perfeição no Moto2. Estamos muito ansiosos para começar a próxima época com este novo piloto", destacou o responsável pela Leopard Racing, equipa que Oliveira representará em 2016.

Paralelamente ao êxito na pista, Miguel Oliveira tem também um percurso como 'aluno dedicado'. Os livros são companhia frequente nas viagens pelo mundo, pois desde cedo tomou noção que a carreira que escolheu é curta e os azares também acontecem.

Quando pendurar o fato de piloto, Miguel Oliveira tenciona vestir a bata de dentista e trocar os assentos 'vertiginosos' das motas por uma mais estável cadeira de dentista. Para já, e já com o vice-campeonato de Moto3 no currículo, frequenta o primeiro ano de medicina dentária.

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