Inédito critério disciplinar tira oitavos a África 36 anos depois

Grupo H. Japão apurado por ter visto menos dois cartões amarelos do que o Senegal. Primeira vez que o Fair Play entra em cena em Mundiais

Pela primeira vez na história dos Campeonatos do Mundo, o número de cartões amarelos decidiu o apuramento de uma seleção e a eliminação de outra. Japão e Senegal terminaram o Grupo H precisamente com quatro pontos e os mesmos quatro golos marcados e outros tantos sofridos, tendo empatado (2-2) no duelo entre ambos, na 2.ª jornada. Perante tal equilíbrio, entrou em cena o critério disciplinar, que beneficiou os nipónicos, por terem visto menos dois cartões amarelos do que os senegaleses - quatro contra seis.

Se a tarde de ontem já por isso seria histórica , mais ainda se tornou por ter significado que, pela primeira vez desde 1982, África não estará representada nos oitavos de final de um Mundial. Há 36 anos, coube à Argélia - com muita polémica à mistura, devido a um alegado arranjinho entre Alemanha e Áustria - e aos Camarões falharem o apuramento, numa altura em que nenhuma seleção do continente negro tinha ainda atingido a fase final - Marrocos foi a primeira, em 1986, para mal dos pecados dos portugueses. Agora, falharam Egito, Marrocos, Nigéria, Senegal e Tunísia.

Este desfecho permitiu ao Japão alcançar a terceira presença na fase a eliminar (após 2002 e 2010) e devolver os oitavos de final à Ásia, que volta estar a representada no pós-fase de grupos de um Campeonato do Mundo após oito anos de ausência, e apenas pela quarta vez.

Africanos não vão esquecer VAR

Se hoje África chora o facto de não estar presente nos oitavos de final 36 anos depois, a história poderia ter sido bem diferente se não houvesse videoárbitro (VAR). Aos 16 minutos, no jogo entre a Colômbia e o Senegal, o árbitro sérvio Milorad Mazic assinalou uma grande penalidade por suposta falta de Davinson Sánchez sobre Sadio Mané, mas acabou por anular a decisão por recurso ao VAR.

Suspirou de alívio a Colômbia, que um quarto de hora depois ficou privada de James Rodríguez, lesionado. Está com azar o antigo médio portista, que também viu uma lesão limitá-lo no primeiro encontro, diante do Japão.

Entretanto, no outro jogo do grupo, a já eliminada Polónia adiantou-se no marcador frente ao Japão através de um cabeceamento certeiro de Jan Bednarek, na sequência de um livre de Rafal Kurzawa (59"), naquele que foi o quinto golo seguido de bola parada por parte dos polacos em Mundiais.

A derrota do Japão favorecia as seleções de Colômbia e Senegal, que se continuassem empatadas seguiam em frente, mas os cafeteros não quiseram correr riscos e chegaram ao golo aos 74 minutos, pelo central do Barcelona Yerry Mina, que cabeceou para o fundo das redes na resposta um canto apontado de Quintero, médio ainda vinculado ao FC Porto que somou a segunda assistência no torneio.

Após o golo colombiano, os senegaleses ficaram abalados e foram incapazes de construir jogadas de ataque com algum critério. No outro jogo, os japoneses mostraram estar atentos ao que se passava no outro campo. A partir desse momento, tanto o Japão como a Polónia pouco ou nada arriscaram, limitando-se a circular a bola muito devagar, no próprio meio-campo, e sem que o adversário exercer qualquer tipo de pressão.

Japão sucede à Coreia do Norte

Feitas as contas, o Senegal sofreu a primeira derrota da sua história nos 90 minutos de um jogo de um Campeonato do Mundo, uma vez que em 2002 só perdera frente à Turquia no prolongamento.

Já o apuramento do Japão significa que Ásia volta a estar representada numa fase a eliminar de um Mundial disputado na Europa desde 1966, sucedendo à Coreia do Norte - afastada nessa edição por Portugal, perdendo por 3-5 após ter estado a vencer por 0-3.

A Colômbia, por sua vez, conseguiu algo inédito no Mundial da Rússia. Foi a única seleção apurada para os oitavos de final depois de ter perdido o primeiro jogo no torneio.

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