"Para ser humilde tenho que vender fatos e o Porsche?"

O técnico do Paços de Ferreira abriu o livro: diz que a sua família sofre com a pressão e ameaças de adeptos e teme pela sua segurança.

Costinha sentiu neste domingo necessidade de explicar vários aspetos da sua ligação ao Paços de Ferreira, das pressões e ameaças dos adeptos até à sua segurança, sem esconder tristeza pelo que a família tem sofrido.

"Pela primeira vez, a minha mulher e os meus filhos tiveram necessidade de vir ter comigo. Por vezes sou imune, ou tento ser, a estas críticas, mas a minha família é mais sensível e sentiram necessidade de vir ter comigo. Há coisas bem piores do que o futebol", disse Costinha, à margem da antevisão ao jogo com o Vitória de Guimarães.

Numa conversa franca e sem rodeios, o treinador do Paços de Ferreira deu conta do clima de desconfiança que envolveu a sua chegada ao clube, admitindo sentir-se como um alvo a abater.

"Desde que cheguei aqui que as coisas não foram fáceis e até parece que jogámos sempre mal. Sou visto com desconfiança e levantam-se burburinhos contra a minha pessoa. Para ser humilde parece que tenho de vender os meus fatos ou o meu Porsche, mas se as pessoas me conhecerem vão ver que sou normal", sublinhou o técnico.

Costinha deu como exemplo o "play-off" da Liga dos Campeões frente aos russos do Zenit, considerando que "surgiu a ideia de que o Paços tinha de ganhar ao Zenit". "Fui criticado por termos perdido, mas o FC Porto já não foi criticado por ter jogado mal ou perdido com o Zenit", acrescentou.

Costinha negou ainda ter segurança pessoal, como resposta às ameaças dos adeptos do clube, com quem nunca teve uma relação fácil.

"Não sei como surgiu esta história de ter um segurança privado, é uma estupidez. Tenho um amigo que pertenceu a uma claque de um clube onde já joguei e que gosta de vir aos jogos, mas não gosta de ver fazerem-me mal", concluiu.

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