Os segredos do sucesso do Vitória de Guimarães

Aposta em jovens da equipa B e dos escalões secundários está a dar resultados: a prova é terceiro lugar da equipa na Liga.

uando em abril de 2012 Júlio Mendes tomou posse como presidente do Vitória de Guimarães, não tardou em anunciar que iria cortar o orçamento do futebol profissional para metade. Com vários meses de salários em atraso a atletas e funcionários e um passivo de 24 milhões de euros durante as direções de Emílio Macedo (que pela sua gestão acabou expulso de sócio do clube em abril deste ano), o novo presidente preparava-se para "trilhar o caminho das pedras", como agora reconhece ao DN.

A medida era necessária para evitar o desastre financeiro, mas em termos desportivos temia-se que o futebol fosse ressentir-se ao ponto de o clube passar as temporadas seguintes a lutar para não descer de divisão.

Júlio Mendes manteve o treinador Rui Vitória, mas mudou a estratégia para o futebol profissional. O Vitória aproveitou a equipa B como nenhum outro clube português, apostou em jovens da II Liga e do Campeonato Nacional de Seniores e nos últimos dois anos e meio está a viver um dos melhores períodos da sua história.

Há que recordar a conquista da Taça de Portugal ao Benfica, em maio de 2013, o mais importante troféu dos 92 anos de história do clube, mas para comprovar o sucesso desportivo do Vitória nem é preciso recuar tanto. Com mais de metade da primeira volta da I Liga já disputada, a equipa está em terceiro lugar, a dois pontos da liderança, e no último sábado o Sporting saiu do Estádio Afonso Henriques com uma derrota por 3-0, um resultado lisonjeiro para os leões, que podiam ter saído de Guimarães com uma goleada histórica. Resta dizer que o orçamento do Vitória para esta época é de cerca de quatro milhões de euros... o do Sporting 25 milhões.

Dois terços da equipa B

"Sou um treinador feliz com jogadores destes", disse no final Rui Vitória. E, afinal, que jogadores são estes? São jovens como o médio e capitão André André, filho de André, também ex-médio e ex-capitão mas do FC Porto, como os avançados Hernâni e Tomané, provenientes da equipa B, por onde andou o ganês de 20 anos Bernard Mensah, ou como João Afonso, defesa-central que na época passada atuava no Benfica de Castelo Branco do Campeonato Nacional de Seniores.

Todos eles foram titulares na vitória frente ao Sporting e, apesar da juventude, estão entre os responsáveis daquele que é o melhor arranque vimaranense na Liga - nunca à nona jornada o Vitória havia somado vinte pontos.

Para melhor perceber o feito, basta atentar nestes números: dos onze titulares frente ao Sporting, sete atuaram na equipa B dos vitorianos, que atualmente disputa a II Liga, e, considerando os jogadores que estavam sentados no banco de suplentes, o número aumenta para 12 no total dos 18 convocados (ou seja, dois terços da equipa).

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