Jonas fugiu da farmácia e Jackson driblou a fome

Goleadores de Benfica e FC Porto tiveram percursos muito diferentes. As histórias contadas por quem os acompanhou no início.

Jonas, 31 anos, e Jackson Martínez, 28, são os dois homens-golo da Liga. O colombiano do FC Porto tem mais um remate certeiro do que o brasileiro do Benfica no topo da lista de melhores marcadores (17 contra 16), o que significa que o clássico de domingo, decisivo para o título, terá um duelo entre os dois maiores goleadores do campeonato.

Os dois avançados têm em comum o facto de terem nascido em pequenas localidades. Jonas em Taiúva, no interior do estado de São Paulo, que no século XIX era conhecida pela produção de café; Jackson em Quibdó, quase 200 quilómetros a oeste de Medellin, que se destaca por estar junto à maior reserva natural da Colômbia. Este é, no entanto, o único ponto de ligação entre ambos. Jonas cresceu numa família de classe média, onde os pais, ambos professores, incentivaram-no a tirar um curso universitário. Jackson tem raízes mais humildes em que a luta contra a fome chegou a atingir um ponto de dramatismo.

Quem conheceu o avançado do FC Porto quando era criança fica espantado com a sua evolução. Até aos 12 anos viveu em Quibdó, desejando que um dia o pai o levasse à pequena escola de futebol onde ensinava os miúdos da terra. Isto apesar de o primeiro sonho ter sido o de se tornar basquetebolista. O pai, Orlando Martínez, chegou a jogar na II Divisão colombiana, mas teve de abandonar o futebol quando nasceu Jackson - o primeiro filho, mais tarde nasceriam duas raparigas -, pois o dinheiro escasseava.

Leia mais na edição impressa e no epaper do DN.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Anselmo Borges

"Likai-vos" uns aos outros

Quem nunca assistiu, num restaurante, por exemplo, a esta cena de estátuas: o pai a dedar num smartphone, a mãe a dedar noutro smartphone e cada um dos filhos pequenos a fazer o mesmo, eventualmente até a mandar mensagens uns aos outros? É nisto que estamos... Por isso, fiquei muito contente quando, há dias, num jantar em casa de um casal amigo, reparei que, à mesa, está proibido o dedar, porque aí não há telemóvel; às refeições, os miúdos adolescentes falam e contam histórias e estórias, e desabafam, e os pais riem-se com eles, e vão dizendo o que pode ser sumamente útil para a vida de todos... Se há visitas de outros miúdos, são avisados... de que ali os telemóveis ficam à distância...