Ronaldo 30 anos: Talento e trabalho obsessivo marcam carreira sem fim à vista

O talento inato e o trabalho quase obsessivo, aliados a uma vida regrada, fazem com que o futebolista Cristiano Ronaldo esteja no auge da carreira à beira dos 30 anos, quando deveria estar a iniciar a curva descendente.

Henrique Jones, antigo médico da seleção portuguesa de futebol, acredita que "até aos 35 anos, Cristiano Ronaldo vai continuar a ter uma carreira de sucesso, embora com alguma diminuição gradual da sua 'perfomance'".

A partir daí, o médico considera "tudo o que se disser agora será especulação" porque o extremo do Real Madrid, que cumpre 30 anos a 5 de fevereiro, vai começar a ter défices fisiológicos que contribuem para o aumento do número de lesões.

"Por volta dos 35 anos, o músculo e o tendão perdem capacidades e por muito que a pessoa trabalhe é mais suscetível a lesões", disse.

O fisiologista José Manuel Soares admite que já "não seria de esperar que Cristiano Ronaldo mantivesse tanta capacidade de velocidade e de movimentos explosivos que continua a evidenciar", e acrescenta: "A sensação que temos é de que ele está a ficar cada vez melhor, não só como jogador, mas até mesmo do ponto de vista físico".

José Manuel Soares coloca mesmo a hipótese de o capitão da seleção ser geneticamente menos suscetível a lesões, porque "nunca teve uma lesão grave", e sublinha que, "se tiver a sorte de não se, lesionar vai longe no que ao tempo de carreira diz respeito".

Henrique Jones, que trabalhou vários anos com Cristiano Ronaldo na equipa nacional, classifica-o como "um atleta de exceção, com um talento inato - que é genético - e com uma capacidade de trabalho fora do comum".

O médico lembra que Cristiano Ronaldo "teve apenas três ou quatro lesões relativamente graves ao longo de uma carreira de 14 anos", mas destaca a atitude e o empenho do jogador do Real Madrid na preparação.

"Tem tido a sorte de não ter lesões, mas também tem trabalhado muito, do ponto de vista de prevenção, para não as ter. A capacidade que ele tem de fazer um trabalho de prevenção de lesões tem resultado até agora, ele trabalha de uma forma quase compulsiva", disse.

Os dois especialistas destacam a capacidade de trabalho e a vida regrada que o internacional português alia ao talento, numa carreira de excelência que em 2014 lhe valeu a Bola de Ouro pela terceira vez.

"É um indivíduo que trabalha como eu nunca vi ninguém trabalhar do ponto de vista físico, conhece bem o seu corpo, sabe perfeitamente quando está a 100 por cento, sabe em determinado momento até onde pode ir, é muito inteligente a jogar com a sua condição física", refere Henrique Jones.

Admitindo que só esteve uma vez com Cristiano Ronaldo, José Manuel Soares classifica-o como um "fora de série", que quando "comparado com os colegas do futebol se torna ainda mais excecional, porque encara a profissão de uma forma extremamente empenhada e pouco habitual entre os futebolistas (...) e tem um cuidado quase obsessivo com o corpo".

"Cristiano Ronaldo encarna aquilo que é desporto de alto rendimento hoje em dia, é um atleta exemplar do ponto de vista do treino, e é exemplar fora do treino. Passa as 24 horas do dia a ter cuidado com o corpo, e alia tudo isso a uma excecionalidade fisiológica", disse o especialista em fisiologia do esforço.

O médico e o fisiologista acreditam que a ida para Inglaterra, aos 18 anos, foi um ponto decisivo na carreira do jogador, formado nas escolas do Sporting, mas Henrique Jones destaca o trabalho desenvolvido em Alvalade.

"A ida para Manchester foi muito importante na sua afirmação, mas a altura mais importante do crescimento do Ronaldo como atleta, a base, deve-se ao Sporting", considera Henrique Jones, que destaca também o facto de o jogador ser uma " muito equilibrado do ponto de vista psicológico, embora pareça muito stressado".

Cristiano Ronaldo completa na quinta-feira 30 anos, apresenta um palmarés único, com três Bolas de Ouro e 'inúmeros' títulos individuais e coletivos conquistados - entre os quais dois mundiais de clubes, duas ligas dos campeões - ao serviço do Manchester United e do Real Madrid, os dois clubes que representou além do Sporting.

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