Qatar pagou em troca de votos, diz ex-dirigente catari

Phaedra Al-Majid, ex-diretora de comunicação internacional do comité da candidatura do Qatar ao Mundial 2022, conta que desde que a despediram sofre ameaças e intimidações para ficar calada.

O jornal brasileiro Folha de São Paulo divulga nesta terça-feira uma entrevista a Phaedra Al-Majid, antiga dirigente do comité da candidatura catari à organização do Mundial 2022, em que afirma ter testemunhado a oferta de dinheiro a membros da FIFA em troca de votos, além da prática de lobby e acordos para influenciar a escolha da sede da prova.

"Presenciei em Angola a oferta de um milhão e meio de dólares [cerca de um milhão e duzentos mil euros] a três africanos do Comité Executivo da FIFA em troca de votarem na candidatura do Qatar", conta a árabe-americana, que foi até 2010 diretora de comunicação internacional do comité catari.

Phaedra explica também que foi demitida por ser considerada responsável pelas informações que saíam na comunicação social relativas às suspeitas de corrupção na eleição do Qatar como sede do Mundial 2022.

"Eles culpavam-me por qualquer coisa que saía nos media contra a candidatura. O que eles não entendiam é que podem controlar a imprensa árabe, mas não os media internacionais", afirma a antiga dirigente, alegando ainda que desde que foi demitida tem sofrido ameaças e intimidações para permanecer calada.

Phaedra Al-Majid é uma das principais testemunhas da investigação de Michael Garcia, responsável do Comité de Ética da FIFA, que publicou recentemente um relatório - conhecido por "Relatório Garcia" - em que admite existirem indícios de corrupção na nomeação do país sede do Mundial.

Al-Majid recordou, ainda, em 2011 apresentou junto da FIFA uma queixa sobre a alegada prática de corrupção do Qatar, explicando que a queixa foi mais tarde retirada por ter sido ameaçada com um processo milionário sob o argumento de ter quebrado a confidencialidade do seu trabalho.

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