Muçulmano critica Mourinho por comentar jejum

Um representante da comunidade islâmica em Itália criticou José Mourinho por causa de comentários feitos pelo treinador do Inter de Milão a propósito do Ramadão.

“Creio que Mourinho devia falar um pouco menos”, disse à Sky TV Mohamed Nour Dachan, presidente da União das Comunidades e Organizações Islâmicas de Itália (UCOII).

O incidente que espoletou a reacção deste representante islâmico remonta ao jogo disputado no domingo pelo Inter e o Bari (1-1), na abertura da época italiana. Descontente com o rendimento do seu médio ganês,  Muntari Sulley, ex-jogador do Portsmouth, que abandonou a partida meia-hora depois do seu início, Mourinho disse que o cansaço do jogador se devia ao jejum.

“Muntari teve problemas relacionados com o Ramadão. Com este calor, jejuar é capaz de não ser bom para ele”, disse José Mourinho. E acrescentou: “O Ramadão não acontece no momento ideal para um jogador de futebol.”

Mohamed Nour Dachan defende, pelo contrário, que o jejum é bom para os desportistas. “Um jogador [muçulmano] praticante não fica enfraquecido. Sabemos pelo Instituto de Medicina Desportiva que a estabilidade mental e psicológica dão ao jogador mais resistência em campo”, disse o representante islâmico à Sky TV.

“Um desportista cristão, judeu ou muçulmano praticante é, sem dúvida, mais calmo psicologicamente, e por isso tem um desempenho melhor”, sustentou.

Muitos futebolistas muçulmanos que trabalham em Itália escolheram não jejuar durante o Ramadão. O argelino Abdelkader Ghezzai, avançado do Siena, explicou que devia escolher entre jogar e jejuar: “Jejuo nos dias sem treinos nem jogos. Tenho praticado sempre o jejum no Ramadão, mas desde que me tornei profissional, tenho mudado os meus hábitos por razões de saúde.”

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