Morreu o jogador do Zaire que ficou para a história dos Mundiais

VÍDEO. Joseph Mwepu Ilunga. Quem? Jogador que protagonizou um dos episódios mais caricatos dos campeonatos do mundo de futebol, no Brasil-Zaire de 1974, morreu esta sexta-feira em Kinshasa

Ficou eternizado no anedotário dos Mundiais de futebol como o protagonista de um dos lances mais cómicos (o mais?) da competição. Embora, soube-se mais tarde, houvesse uma boa razão por detrás. Mas já lá vamos.

Joseph Mwepu Ilunga foi o jogador que ficou para a história por ter saído da barreira da seleção do Zaire [atual República Democrática do Congo] para pontapear a bola num livre direto para o Brasil, no campeonato do mundo de 1974. Morreu esta sexta-feira, aos 66 anos, num hospital de Kinshasa, vítima de doença prolongada.

Ilunga fez parte então da primeira seleção da África negra a participar num campeonato do mundo, na Alemanha, em 1974. Mas esse feito histórico foi ensombrado pela participação desastrosa da equipa zairense na fase de grupos, numa campanha que ficou para sempre ridicularizada no Ocidente por esse momento caricato no Brasil-Zaire, quando Mwepu Ilunga saiu disparado da barreira para pontapear a bola sem que o árbitro tivesse ainda apitado para os jogadores brasileiros marcarem o livre.

Muito mais tarde, o próprio Ilunga esclareceu que o seu ato não ficou a dever-se a ignorância das leis do jogo, mas seria antes uma consequência da pressão exercida pelo regime ditatorial de Mobutu Sese Seko sobre a seleção. "Fiz aquilo de propósito. Esperava até ser expulso, como forma de protesto, mas o árbitro apenas me deu um amarelo", revelou.

Para contextualizar, os jogadores zairenses tinham visto o Governo prometer -lhes casa e uma lista extensa de luxos vários pelo apuramento para o Mundial, mas depois todas as promessas foram retiradas após o primeiro jogo do campeonato, em que o Zaire perdeu 2-0 com a Escócia. No jogo seguinte, contra a Jugoslávia, a equipa africana sofreu uma das maiores goleadas da competição: 9-0. E ainda ficava a faltar o último jogo contra o campeão em título Brasil.

A seleção entrou em campo sob a ameaça velada de Sese Seko. "Disseram-nos que se perdêssemos por quatro ou mais golos contra o Brasil não nos deixariam regressar a casa", contaria mais tarde Mwepu Ilunga. Ora, a 5 minutos do final, quando o árbitro apontou aquele livre direto para o Brasil perto da área do Zaire, o resultado estava em 3-0 para Rivelino, Jairzinho e companhia. E o certo é que a distração provocada pelo ato aparentemente tresloucado do defesa contribuiu para gastar mais alguns segundos e fazer diluir a concentração brasileira até ao apito final, sem que o "tal quarto golo" que ameaçava os zairenses chegasse.

Para lá desse momento, o currículo do antigo jogador contempla uma Taça das Nações Africanas com a seleção e duas taças dos campeões africanos com o clube onde passou toda a carreira, o Mazembe.

Joseph Mwepu Ilunga morreu neste dia 8 de maio de 2015. Mas viverá sempre na história dos Mundiais de futebol.

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