"Isto é o Campeonato do Mundo da Fraude"

Investigação norte-americana cobre suspeitas sobre Mundial da África do Sul e eleições para a presidência da FIFA em 2011.

As autoridades norte-americanas acusam 14 pessoas, incluindo os sete dirigentes da FIFA hoje detidos na Suíça, de corrupção envolvendo o Mundial da África do Sul, as eleições para a presidência da FIFA em 2011 e a Copa América do próximo ano, entre outras competições. Em conferência de imprensa, a procuradora-geral Loretta Lynch disse que há 14 suspeitos, dos quais sete já foram detidos. Lynch recusou comentar a situação de Joseph Blatter.

Os executivos da FIFA "usaram as suas posições para solicitar subornos", ano após ano, "torneio após torneio", disse Lynch. "Desde 1991 que duas gerações de responsáveis do futebol, incluindo os então presidentes de duas confederações regionais da FIFA - a Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caraíbas, conhecida como Concacaf, que inclui os Estados Unidos, e Confederação Sul-Americana de Futebol (ou Conmebol) - usaram as suas posições de confiança dentro das respetivas organizações para solicitar subornos de empresas de direitos e marketing em troca dos direitos comerciais dos campeonatos de futebol."

A procuradora revelou ainda que quatro pessoas já admitiram a culpa, incluindo um antigo secretário-geral da Concacaf, Charles Blazer, e José Hawilla, de 71 anos, dono da Traffic Group, maior agência de marketing desportivo da América Latina, que tem os direitos de transmissão, patrocínio e promoção de campeonatos de futebol e jogadores no Brasil.

As autoridades suspeitam ainda dos acordos de patrocínio da seleção brasileira, entre outros torneios e competições. "Este tipo de corrupção e subornos no futebol internacional ocorre há duas décadas", disse ainda o procurador Kelly T. Currie, assegurando que estas acusações são apenas o princípio.

"Isto é o Campeonato do Mundo da Fraude", acrescentou Richard Weber, diretor da investigação criminal do IRS, acrescentando que hoje deram "um cartão vermelho à FIFA".

Os documentos revelados pelo departamento de Justiça norte-americano revelam que os nove responsáveis da FIFA acusados são: Jeffrey Webb (atual vice-presidente da FIFA, membro do comité executivo do organismo e presidente da Concacaf); o costarriquenho Eduardo Li, presidente da Federação de Futebol da Costa Rica e membro do comité executivo da FIFA; o nicaraguense Júlio Rocha, presidente da Federação de Futebol da Nicarágua; Costas Takkas, das Ilhas Caimão, ligado ao presidente da Concacaf, Webb; o uruguaio Eugenio Figueredo, atual vice-presidente da FIFA e membro do comité executivo; o venezuelano Rafael Esquivel, presidente da federação venezuelana de futebol e membro do comité executivo da Conmebol; e ainda o brasileiro José Maria Marin, membro do comité organizador da FIFA para os torneios olímpicos de futebol e antigo presidente da federação brasileira de futebol.

Os outros cinco são executivos de empresas ligadas ao futebol.

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