Villas-Boas explica por que saiu do Tottenham

O técnico português, que só regressará ao ativo na próxima temporada, considera que no futebol inglês há dificuldades em perceber o que significa um "projeto a longo prazo".

O treinador de futebol André Villas-Boas afirmou nesta sexta-feira, no Porto, que a sua saída do Tottenham se deveu a questões extradesportivas e alegou falta de transparência "de donos e presidentes de clubes quando falam projetos a longo prazo".

À entrada para um jantar organizado por uma instituição da cidade, o ex-treinador do Tottenham e do Chelsea, clube para o qual se transferiu quando deixou o FC Porto, revelou-se agastado com as promessas que se fazem "quando se fala de projetos a longo prazo".

"Entendemos parar para nos reformatarmos, enquanto equipa técnica", disse Villas-Boas, que pretende "dar os passos certos e seguros, para escolher um clube onde se possa triunfar".

O treinador revelou ter tido "contactos interessantes", mas "há clubes que buscam treinador para o imediato", enquanto a sua opção passa por "procurar desafios novos, com passos bem dados", razão pela qual entendeu "parar até junho".

Questionado sobre o que correu mal em Inglaterra, começou por se referir ao "bons resultados" do Tottenham na época anterior, que falhou por pouco a qualificação para a Liga dos Campeões e bateu o seu próprio recorde de pontos na liga inglesa.

"No segundo ano, infelizmente, houve casos que ultrapassaram as situações desportivas e os resultados, pelo que foi muito fácil um entendimento para a saída do clube", afirmou.

Algo "escaldado" com as experiências no Chelsea [despedido antes do fim da época 2011/12] e no Tottenham [rescindiu pouco antes de meio da temporada], desabafou: "No início, quando se reúne com clubes, todos falam de projetos a longo prazo. Não foi a primeira vez que aconteceu em Inglaterra."

"E, por duas vezes, quando todos falam de longo prazo e de estabilidade, a realidade dos projetos, no futebol, é o jogo seguinte, o dia seguinte e quase o treino seguinte", justificou.

Por isso, André Villas-Boas considera que "é muito difícil haver transparência", razão pela qual conclui: "Neste momento, é importante, quando me voltar a sentar com algum dono ou presidente de um clube, ler o que vai para além das pessoas, que valor é que têm as suas palavras e, só então, acreditar que se pode escolher bem".

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