Luz ainda é hipótese para abertura, Alvalade em risco

Esta tarde, às 15.00, será anunciado em Zurique se Portugal volta a receber uma grande competição futebolística, após o Euro 2004. Em caso de triunfo, regressa à discussão a possibilidade de aumentar a lotação do recinto do Benfica  e o caso da relva sintética do Sporting, não permitida pela FIFA. Mas primeiro é preciso vencer a eleição

Chegou o grande dia. A FIFA vai anunciar às 15.00 no centro de congressos de Zurique as candidaturas que terão a responsabilidade de organizar os Mundiais de 2018 e 2022. Portugal e Espanha - que "lutam com Inglaterra, Rússia e Holanda/Bélgica - partem com boas hipóteses de vitória, o que, a acontecer, marcará o regresso de um grande evento desportivo ao nosso país, depois do Euro 2004.

Em caso de triunfo, sabe o DN, a sociedade organizadora do torneio irá reavaliar questões importantes ligadas aos estádios da Luz e José Alvalade. Gilberto Madaíl irá reabrir o processo de discussão em torno do jogo de abertura, que, nesta altura, está previsto para o Camp Nou, em Barcelona. Só que, desde o início do processo de candidatura, o presidente da Federação Portuguesa de Futebol teve várias reuniões na tentativa de convencer os membros do Governo a comparticipar o aumento da capacidade do Estádio da Luz, dos 65 mil para os 80 mil lugares, para dessa forma Portugal poder receber o jogo de abertura. Só que o Governo rejeitou essa possibilidade devido à crise financeira.

No entanto, fonte próxima da candidatura garantiu ao DN que este não é um processo fechado e que Gilberto Madaíl irá voltar a colocar esse tema em cima da mesa, pois, segundo a mesma fonte, "o investimento seria baixo". Na prática, para aumentar a capacidade do Estádio da Luz bastaria construir bancadas nas zonas que não estão preenchidas até à cobertura.

Miguel Ángel López, director- -geral da candidatura ibérica, adiantou ao DN que essa hipótese só não foi concretizada porque, "em Março, o Governo português disse-nos que não tinha dinheiro para remodelar estádios" e acrescentou que a solução encontrada foi "fazer uma segunda cerimónia de abertura em Portugal". Contudo, o director-geral não fechou a porta a uma mudança de planos.

O caso de Alvalade tem a ver com a intenção da SAD do Sporting, presidida por José Eduardo Bettencourt, de substituir a relva natural por artificial. Esta medida, poderá, segundo fonte do DN, originar a exclusão de Alvalade do Mundial 2018. Miguel Ángel López chama a atenção para o facto de a candidatura ibérica ter "assinado um contrato" com os leões que contemplava a utilização do recinto com relva natural.

Mas isto são temas para debater se a candidatura ibérica for eleita. Hoje será avaliado o projecto que contempla 21 estádios (três em Portugal) e um orçamento inicial de 510 milhões de euros, dos quais 150 milhões correspondem aos 30% da participação portuguesa.

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