Atlético de Bilbau: quem não é basco não entra

Apesar dos exemplos e polémicas da Real Sociedad (de San Sebastián), o maior símbolo desportivo do nacionalismo basco é mesmo o Atlético de Bilbau. O clube vizcaíno está para o País Basco, como o Barcelona está para a Catalunha: é o porta-estandarte dos sonhos independentistas dos seus habitantes. Mas mantém um purismo que não existe em qualquer outro clube: só utiliza jogadores bascos ou de ascendência basca.

O ex-lateral-esquerdo francês Bixente Lizarazu foi o único não espanhol a jogar pelo clube de Bilbau (na época 1996/97), mas tinha uma boa desculpa: é natural do País Basco francês. E, apesar de já terem passado alguns estrangeiros pelas camadas jovens do Atlético, nenhum chegou à equipa sénior.

O purismo da filosofia basca ia ao ponto de não ter qualquer marca desportiva a vesti-lo (os equipamento eram "100%" Atlético) e não aceitar usar publicidade, mas ambos as tradições foram abandonadas a meio da primeira década do século XXI. Agora, resta o sentimento 100% basco do plantel para manter viva a chama independentista no estádio San Mamés.

Hoje, o Atlético é um dos clubes que estiveram sempre na 1.ª divisão espanhola, tal como Barcelona (baluarte da Catalunha) e Real Madrid (símbolo do centralismo de Madrid). É deles que vive a chama política e nacionalista do futebol espanhol. Porém, essa chama é a faca de dois gumes que paira sobre o emblema vizcaíno. Por um lado, não está imune aos ataques da ETA. Em 1985 o dirigente Juan Pedro Guzmán foi raptado pela organização separatista (e depois resgatado pela polícia). E, em 1997 Lizarazu saiu, no fim da época, em grande parte, por lhe ter sido extorquido o chamado "imposto revolucionário" da grupo que muitos apelidam de terrorista.

Mas, por outro lado, os adeptos de Bilbau apoiam a causa etarra. Afinal, em Março de 2008, foi celebrado pela primeira vez um minuto de silêncio de memória de uma vítima da ETA (Isaías Carrasco, político do PSOE)... mas teve de ser interrompido, pelo árbitro, ao fim de oito segundos, devido ao barulho ensurdecedor que se levantou pelo San Mamés, incentivado pela claque radical Herri Norte.

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