Angola não quer jogar no Burkina Faso, por razões de segurança

Os angolanos alegam não haver condições de segurança para jogar no Burkina Faso, país que está sob estado de emergência, na qualificação para a CAN.

A Federação Angolana de Futebol informou esta sexta-feira que não há condições de segurança para jogar no Burkina Faso, sugerindo que o último jogo de apuramento da Taça Africana das Nações (CAN) se realize em terreno neutro ou em Luanda.

A posição foi confirmada à agência Lusa, em Luanda, pelo vice-presidente da federação, João Lusivikueno, tendo em conta a agitação civil e militar que se vive naquele país africano.

Nesse sentido, aquele órgão já escreveu à Confederação Africana de Futebol, sugerindo a alteração do local do jogo, agendado para 19 de novembro em Ouagadougou, numa partida que pode ser decisiva no apuramento das duas equipas para a próxima CAN, a disputar em 2015, em Marrocos.

"Estamos a aguardar que a Confederação nos diga alguma coisa, mas achamos que não há condições de segurança, até ao momento. Mas até à realização do jogo ainda faltam 19 dias", admite João Lusivikueno.

A proposta angolana, que recorda situações idênticas vividas noutros países africanos, passa por disputar o jogo, fora do Burkina Faso, outro dos candidatos à passagem.

"Nestas condições, ou joga-se em Luanda ou em terreno neutro. Acredito que a Confederação, até à próxima semana, se pronuncie sobre isto", sublinha Lusivikueno.

As forças armadas do Burkina Faso anunciaram na quinta-feira a dissolução do governo e do parlamento, a instauração de um recolher obrigatório e a criação de um órgão de transição, depois de o presidente Blaise Compaoré, no poder há 27 anos, ter afirmando que não se demitia, num discurso transmitido pela televisão.

Blaise Compaoré anunciou entretanto que abandona o poder para permitir a realização de eleições "livres e transparentes" no prazo de 90 dias, segundo um comunicado lido na rádio.

"Quando se declara estado de sítio ou de emergência é para evitar que haja uma aglomeração muito grande de pessoas num determinado sítio. Ora, um jogo de futebol, com um cariz decisivo como será este, nunca teria condições para se realizar num país que está num estado que não é normal, por uma questão de segurança", enfatiza o vice-presidente da Federação Angolana de Futebol.

A falta de comparência na partida é um cenário que, para já, não está em cima da mesa, acrescentou João Lusivikueno.

Angola recebeu em Luanda, na segunda jornada da fase de apuramento, a congénere do Burkina Faso, considerado o adversário mais forte do grupo, tendo sido goleada por 4-0. Os "Palancas Negras" somam apenas quatro pontos, com uma única vitória em quatro jogos, e dependem de terceiros para conseguir uma das vagas na próxima competição.

Nesta fase final do apuramento, Angola recebe o Gabão, em Luanda, a 15 de novembro, para depois jogar no Burkina Faso, a 19 do mesmo mês.

Angola tenta "carimbar", pela oitava vez, a presença numa fase final deste torneio continental africano.

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