Escândalo de apostas abala futebol na Europa

Já há 17 detidos no maior caso de sempre de apostas ilegais na modalidade. Atinge países do Centro e Leste europeus e também pré-eliminatórias da Liga dos Campeões e Taça UEFA.

O maior escândalo de sempre de viciação de resultados de jogos de futebol por causa das apostas pode ter rebentado ontem em Bochum (Alemanha), onde a polícia daquele país e representantes da UEFA revelaram o envolvimento de clubes de nove federações europeias que falsearam 200 jogos - todos desde Janeiro - e movimentaram mais de dez milhões de euros. Estas verbas destinavam-se às casas de apostas asiáticas e entre os suspeitos encontram-se jogadores, treinadores, árbitros e dirigentes, num total de 100 pessoas.

As investigações, que decorrem desde Janeiro, levaram para já à detenção de 17 pessoas, após cerca de 50 mandados de busca - em que foram apreendidos documentos, bens e um milhão de euros em dinheiro - levados a cabo anteontem na Alemanha, Grã-Bretanha, Suíça e Áustria, numa operação que envolveu mais de 300 agentes policiais.

Aquilo que o procurador alemão Andreas Bachmann disse ontem ser apenas "a ponta de um icebergue" coloca sob suspeita 40 jogos das pré--eliminatórias da Liga dos Campeões e da antiga Taça UEFA, que na sua maioria envolvem equipas do Leste europeu, embora estejam já determinados três jogos da Liga dos Campeões e 12 da Taça UEFA, agora denominada de Liga Europa, numa primeira lista de falseamento de resultados. Sob investigação estão ainda partidas dos escalões inferiores na Alemanha, Bélgica, Suíça e Áustria, e das principais divisões da Croácia, Eslovénia, Turquia, Hungria e Bósnia-Herzegovina.

Entre os detidos nesta investigação estão os irmãos croatas Filip e Milan Sapina, que em 2005 já tinham sido condenados num processo semelhante (ver peça em baixo). As autoridades estão convencidas que estes dois elementos são os líderes de uma organização com sede em Berlim, mas com contornos semelhantes ao de uma espécie de máfia de leste. Peter Limacher, dirigente da UEFA com a responsabilidade de acompanhar as investigações a eventuais casos de falseamento de resultados, disse na conferência de imprensa de ontem em Bochum, que se trata da "maior fraude de apostas da história do futebol europeu", garantindo "total empenhamento" para que os implicados no escândalo "enfrentem a justiça". Gianni Infantino, secretário geral da UEFA, acrescentou ainda que o organismo irá pedir aos tribunais competentes "sanções pesadíssimas" para os envolvidos.

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