Blatter não teme ser preso: "Preso porquê?"

Blatter diz estar "chocado" com as acusações da justiça norte-americana que considera uma tentativa para "interferir com o congresso" no qual foi reeleito como presidente da FIFA.

O presidente da FIFA, Joseph Blatter, reeleito na sexta-feira, disse este sábado que as detenções de responsáveis da FIFA, na última quarta-feira, deveriam ter sido feitas noutra altura, evitando a véspera das eleições da organização. Na conferência de imprensa de encerramento do congresso da FIFA, Blatter não teve como fugir ao escândalo de corrupção que está a afetar a organização, mas garantiu que não está envolvido.

"Estou aqui como presidente da FIFA e vou continuar o meu trabalho e vou continuar a lutar por coisas boas. É agora o meu dever estar à altura das responsabilidades, resolver a situação e recuperar a nossa reputação", disse Blatter.

Após a declaração inicial Joseph Blatter ficou debaixo de fogo: o presidente da FIFA foi diretamente questionado pelos jornalistas se é a pessoa referida no inquérito das autoridades norte-americanas, que autorizou pagamentos de subornos, dizendo que se recusa a comentar os elementos da acusação, mas garantindo que não é essa pessoa.

Blatter disse ainda que não teme ser preso: "Preso porquê?", disse em resposta aos jornalistas, assegurando a sua inocência. Confrontado com as críticas de várias responsáveis de que a corrupção na FIFA é uma questão cultural, recusou que tenha contribuído para essa cultura.

O presidente da FIFA foi também questionado sobre as relações com a UEFA e sobre as suas declarações numa entrevista dada algumas horas antes, em que denunciou um "ódio da UEFA". Blatter disse que UEFA é uma das confederações mais ricas e vão ter de trabalhar juntos, mas aproveitou para criticar a organização dizendo que esta nem sequer tem uma comissão de ética, ou seja, que não dá o exemplo às outras.

Quanto questionado sobre Michel Platini, presidente da UEFA, que pediu a sua demissão, Joseph Blatter respondeu a uma cadeia de televisão suíça: "Eu perdoo a todos, mas não esqueço", acrescentando estar "chocado" com as acusações da justiça norte-americana que considera uma tentativa para "interferir com o congresso" no qual foi reeleito como presidente da FIFA.

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos indiciou na quarta-feira nove dirigentes ou ex-dirigentes e cinco parceiros da FIFA, acusando-os de associação criminosa e corrupção nos últimos 24 anos, num caso em que estarão em causa subornos no valor de 151 milhões de dólares (quase 140 milhões de euros).

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