Argentina perde: vai mesmo ter de jogar com a Alemanha

Naturalmente, os 90 minutos chegaram com 0-0. Por duas razões. A primeira, porque os dois melhores jogadores deste Mundial, um de cada lado, Messi e Robben, resolveram marcar o ponto e não mais, sobretudo golos. O jogo foi pautado por uma homenagem geral ao defesa holandês Indi, querendo todos jogar como ele, um futebolista extraordinário. Bruno Martins Indi, holandês nascido na Outra Banda, é extraordinário porque consegue ser tosco quando é de uma terra de futebolistas de jogo fino - a um dos seus, o benfiquista Félix, chamavam-lhe o Pantufas. Conterrâneo de Pireza, do violino Albano, de José Augusto, Manuel Fernandes, Chalana e Carlos Manuel, todos bons de bola, o Indi da Holanda saiu ao intervalo. Mas não foi pela falta do inspirador do jogo insípido que a coisa melhorou, tudo continuou morno.

A segunda razão para o longo 0-0, e a maior, é porque os futebolistas não são parvos. Em todas as atividades trabalha-se para um prémio, e no jogo de ontem a quem ganhasse era-lhe prometido um castigo. Os islâmicos malucos matam-se para encontrar 70 virgens e aos argentinos e holandeses era-lhes pedido que se esfalfassem para encontrar no domingo 11 rapazes espadaúdos de uma máquina que começa em Neuer e acaba em Müller. Não foram, pois, por aí, os de ontem - futebolista rima com masoquista mas não é necessariamente a mesma coisa. E foi-se para prolongamento, que rima com aborrecimento e, desta vez, sim, foi a mesma coisa.

A FIFA, que é sádica, tinha um truque para desmanchar o empate eterno. Os penáltis. E aí, já depois dos 90 minutos e depois da meia hora suplementar (o primeiro 0-0 da história das meias finais!), enfim, chegou uma pontinha de emoção: será que Van Gaal iria repetir a substituição do guarda-redes Jasper Cillessen pelo Tim Krul? Reparem no ponto em que estávamos de bocejo: a única surpresa, a haver, seria uma repetição de há dias... Pois nem nessa, o Cillessen ficou na baliza. Mas havia ainda uma derradeira surpresa possível: a Holanda passar e garantir já que a final de domingo ficasse inédita, com um Mundial nas Américas ganho seguramente por uma equipa europeia. Nem esse sobressalto aconteceu, será Argentina-Alemanha. Sentidos pêsames aos argentinos.

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