Supertaça e superfrango para um dragão de rumo novo

Dois meses depois da final da Taça, a nova época começa como acabou a anterior: com o FC Porto a conquistar um troféu perante um P. Ferreira organizado, mas sem argumentos para rectificar o primeiro erro grave de um seu jogador. Má sorte ter sido Cássio...

Com três caras novas para cada lado, não espanta que tenham sido mais os pontos comuns do que as divergências em relação ao jogo de 31 de Maio. A começar pela dependência do Paços em relação à fantasia de Cristiano, o primeiro desequilibrador a levar emoção às bancadas em Aveiro, com dois remates complicados para Helton. Com Belluschi ainda à procura da posição, o FC Porto teve dificuldades para ligar o jogo e demorou 20 minutos a inclinar o jogo a seu favor, com a velocidade de Hulk e Varela a dar os primeiros avisos a Cássio.

A saída do médio argentino, com a passagem de Mariano para o meio e a entrada de Farías para o eixo deu mais liberdade a Hulk e tornou um pouco mais ágeis as saídas do dragão. Mas fica a dúvida se teria sido suficiente para decidir o jogo, se o brasileiro Cássio não tivesse decidido imitar Higuita no Mundial de Itália, em 1990, tentando perante Ernesto Farías um drible envergonhado que o argentino transformou em golo (59 m).

Mais talhado para o jogo de gestão e estocada rápida que a vantagem lhe permitia, o FC Porto dominou tranquilamente a meia hora final, até porque, tal como no Jamor, a entrada de William voltou a coincidir com a quebra física do meio-campo pacense. E, assim, o vistoso golo de Bruno Alves, ao cair do pano, deu um tom um pouco mais risonho a uma vitória sem discussão, que, nesta altura, deixa mais perguntas do que respostas as adeptos portistas.

Só por excesso de candura vale a pena questionar se as saídas dos argentinos Lucho González e Lisandro López para o futebol francês já foram absorvidas e digeridas pelo dragão. Não foram, nem poderiam sê-lo, ainda mais se nos lembrarmos de que as baixas de Ricardo Quaresma e Paulo Assunção, há um ano, só por alturas de Novembro foram ultrapassadas.

A questão que faz sentido e certamente domina as preocupações de Jesualdo Ferreira, nesta altura, é saber até que ponto a equipa terá de mudar as suas características para encontrar novos equilíbrios. E, não menos importante, quanto tempo irá demorar esse processo.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG