Madjer e o golo de Brahimi: "Um momento espetacular, fiquei muito feliz por ele"

Madjer vibrou com o golo de Brahimi na Champions e não compreende como o compatriota não tem sido mais vezes titular

Quase 30 anos depois, um calcanhar argelino voltou a dar alegrias aos adeptos do FC Porto. Depois de Madjer ter marcado, na final da Taça dos Campeões Europeus de 1987, um dos mais audazes golos que a história já testemunhou, Yacine Brahimi reeditou a proeza do compatriota, ao marcar de calcanhar na goleada ao Leicester, por 5-0, que carimbou a qualificação dos dragões para os oitavos de final da Liga dos Campeões.

O gesto técnico não foi exatamente igual, mas foi o suficiente para trazer à memória o mais célebre golo de Madjer, que vibrou à distância com a ousadia de Brahimi. "Vi o jogo e fiquei muito feliz com aquele momento. Foi um espetacular momento de antologia. Lembrei-me do meu golo em Viena, claro, embora tenham sido diferentes. Eu estava de costas para a baliza, o Brahimi fez o remate um pouco em letra. Mas foi um momento espetacular, fiquei muito feliz por ele", disse ao DN o antigo futebolista argelino.

Curiosamente, os golos de calcanhar têm sido recorrentes no passado recente do FC Porto. Mangala, Indi, Héctor Herrera, Jackson Martínez e Falcao são exemplos de jogadores que fizeram golos desta forma pelos portistas. "São sempre momentos de antologia", diz Madjer, incapaz de escolher qual foi o mais bonito golo de calcanhar, se o seu ou o de Brahimi. "Não me peça isso, não o vou dizer. Não quero dizer que o meu foi melhor do que o dele ou o contrário. O importante é que o FC Porto ganhou e fico sempre feliz quando Brahimi faz a diferença", sublinhou.

Diante do Leicester, Brahimi foi titular apenas pela terceira vez nesta época, e a sua chamada à equipa titular foi motivada pela lesão de Otávio. O criativo argelino tinha feito apenas um jogo em novembro - frente ao Belenenses, na Taça da Liga -, mas revelou-se em forma diante de Sp. Braga e Leicester e reclama um lugar entre as opções de Nuno Espírito Santo.

"Não sei por que não joga mais, só sei que temos sempre que respeitar as decisões do treinador. O Brahimi sabe disso. A verdade é que ele já mostrou o grande jogador que é. É capaz de coisas incríveis. Sinceramente, penso que ele mostrou ao treinador que merece uma segunda chance para ser titular", defende Madjer.

Até à última jornada da fase de grupos, Brahimi tinha jogado apenas 50 minutos na Champions, mas após a exibição diante do Leicester Nuno Espírito Santo dificilmente resistirá em dar-lhe a titularidade frente ao Feirense, jogo em que o FC Porto terá a oportunidade de recuperar terreno em relação a Benfica ou Sporting - ou ambos, caso haja empate no dérbi na Luz.

Madjer tem acompanhado a temporada do FC Porto e acredita que esta vitória pode relançar a equipa. "O FC Porto esteve algum tempo sem marcar, mas é sempre uma equipa lutadora. Acredito que vai estar na luta até ao final. O Benfica está bem, mas o FC Porto já mostrou a sua força esta época. Continuo a acreditar claramente no título. Há que confiar nos jogadores e no treinador", defende a antiga glória portista, que não deixa de apelar a mais tempo de jogo para Brahimi. "Para mim, jogava sempre. Mas quero deixar claro que temos que respeitar o treinador, como sempre", vincou.

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