Soltou-se o ketchup com o mote de Corona

FC Porto está nos oitavos-de-final com uma justa goleada ao Leicester B, num jogo com bons momentos e grandes golos

O FC Porto qualificou-se ontem para os oitavos-de-final da Champions com uma noite de goleada ao Leicester e que permitiu à equipa alcançar o seu recorde de golos num jogo nesta época - cinco. Há nove partidas que os dragões não marcavam mais de um golo, mas desta vez começaram logo ao sexto minuto, com André Silva a faturar de cabeça ao segundo canto consecutivo. Era preciso ganhar para não estar dependente do Copenhaga (que ganhou em Bruges) e o FC porto fez isso sem dificuldade, passando pela 12.ª vez, em 21 participações, para a fase a eliminar naquele que foi o 50.º jogo da Champions no Dragão.

Nuno Espírito Santo desenhou uma equipa com Alex Telles a voltar ao seu lugar (aparentemente falhou o Braga por estar afetado com a tragédia da Chapecoense) e Brahimi em vez do lesionado Otávio. O golo cedo ajudou, claro, mas a equipa finalmente conseguiu dois jogos bons seguidos. Em boa parte porque o 4x4x2 resolve alguns problemas de colocação da equipa e a falta de um homem no meio entre a linha média e o ataque foi resolvida com um Óliver, que parece que melhora tendo de cobrir mais campo. Mas também porque toda a gente teve atenção a essa zona do meio, mesmo Brahimi e Corona, e também os laterais.

O Leicester trazia a equipa de reservas, mas sabe-se como o FC Porto não tem tido facilidades em marcar golos nem a adversários reduzidos a dez homens, quanto mais a um campeão inglês. Mas Ranieri quis guardar os seus homens para o jogo de sábado com o Manchester City porque o primeiro lugar do grupo estava resolvido, ainda que uma opção destas ponha em causa a qualidade máxima da Champions - é que nem o guarda-redes escapou, foi o terceiro, Ben Hamer, que jogou, ele que, como Chilwell, Mendy e Wasilewski nunca tinham atuado na Champions.

A incapacidade da equipa britânica fica evidente em 10-1 em remates ao intervalo. O seu 4x4x2 não conseguia responder ao 4x4x2 do onze da casa e apesar de duas substituições ao intervalo (entradas de Albrighton e Ulloa) para reforça ataque, o resultado foi-se avolumando e foi o FC Porto que chegou ao quarto golo, um penálti sobre André Silva que o próprio, desta vez, converteu com tranquilidade. Durou pouco a melhoria inglesa, que teve uma oportunidade por Demarai Gray e depois uma boa que beijou a barra (Ulloa) já a 5-0 - esse golo fora marcado por Diogo Jota, isolado por André Silva, que não falhou perante Hamer. Jota também se estreou a marcar na Champions perante quase 40 mil espectadores - o Dragão não encheu mas esteve melhor do que o costume e seguiu a equipa desde o primeiro minuto.

Acresce que, para além da superioridade, o FC Porto acrescentava dois golos fantásticos - Corona a fazer o 2-0 com um remate de pé esquerdo sem deixar cair a bola e Brahimi, outro argelino, de calcanhar depois de uma bela jogada e um cruzamento de Maxi. Mas uma grande exibição na primeira parte, com uma equipa segura e a marcar golos finalmente, jogando para a frente sem esquecer a sua baliza, dominando e controlando. André Silva vai em quatro golos na prova (mais um na qualificação) e até isso correu bem ao FC Porto - assim não há problemas com Rui Pedro, rei do sábado passado e que ontem se estreou merecidamente. Uma noite em que se soltou o ketchup, como diria Ronaldo, e uma noite como o Dragão não via há muito tempo!

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João Gobern

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