Prejuízo ainda é grande, mas dentro do fair play financeiro

SAD apresentou resultados negativos de 35,3 milhões de euros, mas só 25,4 milhões contam para a UEFA. Administrador Fernando Gomes promete grande redução de custos

O discurso crítico de Fernando Gomes não deixa margem para grandes dúvidas. Se fosse hoje, dificilmente o FC Porto repetiria as contratações de nomes como Casillas ou Maxi Pereira. Sem nomear nunca qualquer jogador, naturalmente, o administrador financeiro da SAD portista lamentou ontem a política de "salários incomportáveis" que levou os dragões a terem de submeter-se a um plano de fair play financeiro acordado com a UEFA.

Fê-lo durante a apresentação das contas relativas a 2016-17, que voltaram a apresentar elevados prejuízos: 35,3 milhões de euros (depois dos 58 milhões da época anterior), claramente o pior exercício dos três grandes - o Benfica apresentou lucros de 44,5 milhões e o Sporting de 30,5 milhões.

A boa notícia para os portistas é que, apesar do vermelho, as contas da SAD ficaram dentro do acordado com a UEFA no fair play financeiro. Isto porque, apesar de o limite de prejuízos permitidos pelo organismo europeu, dentro do plano de recuperação acordado para quatro anos (até 2020), ter sido fixado em 30 milhões de euros para o exercício de 2016-17, só 25,5 milhões de euros do resultado negativo apresentado pelo FC Porto é que valem para as contas da UEFA - há custos, como os relativos a atividades da formação, entre outros, que não contam para efeitos de défice, o que permitiu descontar 9,9 milhões de euros.

Mantendo um tom crítico sobre o passado que levou ao descontrolo financeiro, Fernando Gomes garantiu que a viragem de rumo está em curso e prometeu mesmo que a recuperação será feita "a um ritmo superior ao acordado com a UEFA". "Em determinados momentos, o FC Porto assumiu contratos com jogadores que são incomportáveis e que obrigavam a realizar enormes mais-valias todos os anos, desfazendo-se de boa parte da equipa, com consequências desportivas. Isso não vai acontecer mais. Temos um novo rumo", explicou, anunciando que esse passa obrigatoriamente por "forte redução de custos".

Nesse sentido, o administrador financeiro anunciou que o FC Porto se libertou já, para esta época, de 26 jogadores que tinha sob contrato - "jogadores que se atrapalhavam uns aos outros e muitos nem nós sabíamos onde estavam". O que, disse, vai permitir uma poupança de 20,8 milhões de euros. "Isso vai repercutir-se já nas contas do próximo ano. Este ano já reduzimos um pouco os custos [de 75,7 milhões de euros para 73,2], mas para o ano vamos reduzir muito mais", garantiu.

De resto, Fernando Gomes lembrou que o FC Porto "tem três anos para limpar os salários exagerados", tendo assumido com a UEFA o compromisso de chegar ao break--even nas contas da SAD em 2019--2020. "Mas vamos fazê-lo mais cedo", reforçou, atualizando as projeções para voltar aos lucros em 2018--19 (sete milhões esperados).

Champions é fundamental

Ora, importância decisiva nas contas, além da prometida redução de custos, tem a Liga dos Campeões, assumiu Gomes: "Cada vez mais. Não só para o FC Porto mas também para as equipas portuguesas, é fundamental para o equilíbrio das contas, até porque a UEFA já anunciou que os prémios vão aumentar."

As receitas da participação na Liga dos Campeões da época passada (oitavo-de-final) tiveram já, de resto, um contributo significativo na melhoria das contas apresentadas ontem, pois significaram um aumento de quase 20 milhões em relação à época anterior (11,6 para 30,8) e assumiram grande peso no aumento dos proveitos operacionais da SAD (de 75,8 para 98,9 milhões). Já as vendas de André Silva e Rúben Neves renderam 41 milhões.

Fernando Gomes esclareceu, ainda, que o FC Porto não está impedido de contratar jogadores. "O acordo com a UEFA prevê que as compras apenas não podem superar as vendas", disse, garantindo que se os dragões não contrataram ninguém no verão (além do guarda-redes Vaná) foi "por decisão assumida entre a administração e a equipa técnica". E a prova disso é a compra, anunciada ontem, da totalidade do passe de Aboubakar.

Últimas notícias

Conteúdo Patrocinado

Mais popular

  • no dn.pt
  • Desporto
Pub
Pub