Plantel valorizou quase 50 milhões durante esta época

Marega e Aboubakar foram os que mais aumentaram o seu valor de mercado. Brahimi atingiu a cotação mais alta de sempre

Quando esta época arrancou no reino do dragão, muitos foram os adeptos portistas que torceram o nariz a alguns nomes que compunham o plantel. Sem dinheiro para fazer contratações, o treinador Sérgio Conceição fez regressar ao clube alguns dos jogadores emprestados que, com os que transitaram do ano anterior, formaram o plantel que acabou por conquistar o título, após quatro épocas de domínio benfiquista.

Quando a temporada se iniciou, os 25 jogadores que agora se sagraram campeões estavam avaliados em 174,05 milhões de euros, segundo os dados do site transfermarkt.com, especializado em mercado de futebolistas. Agora, onze meses depois, os mesmos jogadores têm um valor de 221,5 milhões, ou seja, uma diferença de 47,5 milhões.

Foram, precisamente, dois dos regressados ao Dragão, Marega e Aboubakar, que viram o seu valor de mercado aumentar mais. O maliano, que com 22 golos é o melhor marcador portista, triplicou o seu valor, passando dos quatro para os 12 milhões de euros, enquanto Aboubakar passou dos dez para os 18 milhões, um aumento de 80% em relação ao início da época. A mesma percentagem de crescimento de Alex Telles, defesa-esquerdo e rei das assistências da Liga, com 12 passes para golo, que passou de nove para 16 milhões.

Brahimi mais valioso do que Danilo

O mercado de futebolistas no seio do FC Porto passou agora a ter como jogador mais valioso o argelino Yacine Brahimi, que ultrapassou Danilo Pereira, que terá, por certo, sido vítima da grave lesão sofrida em abril, que o impedirá inclusive de estar no Mundial 2018. Estes dois jogadores são, ainda segundo o transfermarkt.com, os únicos que superam as duas dezenas de milhão.

Brahimi inverteu a espiral negativa em que tinha caído a sua cotação, pois desde outubro de 2015 até ao início desta época tinha passado de 22 para os 18 milhões de euros. Agora, o mágico argelino viu o seu valor de mercado subir para os 25 milhões de euros, que representa a sua melhor cotação de sempre. Já Danilo Pereira, apesar da grave lesão, atingiu os 24 milhões de euros, o que se pode explicar com a importância do internacional português em mais de metade da época portista. Fica a dúvida de qual seria a sua cotação neste momento se não se tivesse lesionado.

Outro jogador em ascensão no FC Porto é Diogo Dalot, lateral de 19 anos formado no clube, que apenas fez seis jogos na equipa principal. No entanto, o facto de ser considerado um dos mais promissores jogadores da sua geração, seguido por alguns dos clubes gigantes da Europa, terá feito disparar a sua cotação, passando dos 600 mil euros para os sete milhões.

Outro caso de retoma é o de Herrera, autor do golo da vitória do FC Porto na Luz que acabou por ser decisivo na caminhada de sucesso da equipa de Sérgio Conceição. O médio, capitão dos dragões, estava com a sua cotação em queda desde julho de 2015, mas esta época conseguiu inverter a tendência, passando de 13 para 18 milhões de euros, superando em 1,5 milhões a sua anterior melhor cotação de sempre, em julho de 2015.

Outro regressado ao clube, após uma época cedido ao Nice, foi Ricardo Pereira, que conquistou a titularidade como defesa-direito e subiu de nove para 13 milhões de euros o seu valor atual. Em subida constante está também Felipe, central brasileiro que atingiu os 12 milhões de euros, precisamente o dobro da cotação de quando chegou ao FC Porto no verão de 2016.

Significativa é ainda a subida do valor de mercado de Sérgio Oliveira, principal beneficiado com a lesão de Danilo. O médio foi a escolha de Sérgio Conceição para completar o meio-campo, tendo subido a sua cotação de 2,5 para seis milhões de euros em apenas três meses.

Óliver Torres e Soares em queda

Apesar da época de sucesso com a conquista de do título, oito jogadores do plantel viram o seu valor decrescer. A idade e a pouca utilização são as explicações mais plausíveis. Neste caso está Iker Casillas, que a poucos dias de festejar 37 anos viu a sua cotação de mercado cair para metade (um milhão de euros). No mesmo plano está Maxi Pereira, que foi quem mais desvalorizou (2,5 milhões), pois além dos 33 anos perdeu a titularidade no onze de Conceição.

Óliver e Otávio desvalorizaram dois milhões de euros, uma vez que o caso do espanhol de 23 anos é o mais problemático, pois no início desta época o FC Porto comprou o seu passe ao At. Madrid por 20 milhões de euros, sendo que agora vale quase metade (12 milhões). Óliver apenas foi titular em 13 dos 27 jogos que fez esta temporada.

E o que dizer de Soares? O avançado brasileiro terminou a época passada em grande forma, razão pela qual a sua cotação chegou aos sete milhões de euros. Mas esta época perdeu algum protagonismo com a ascensão de Marega e o regresso de Aboubakar. Marcou onze golos, quase tantos quantos fez entre janeiro e maio da temporada passada, daí que não seja de estranhar a sua queda para os 5,5 milhões de euros na bolsa de cotação do Transfermarkt.

Marcano "traído" pelo contrato

O espanhol Marcano, titularíssimo no eixo defensivo da equipa de Sérgio Conceição, mantém a cotação com que iniciou a temporada: oito milhões de euros. Estranho? Nem tanto, se tivermos em consideração que o central está em final de contrato com o FC Porto e que, por essa razão, o adeus ao Dragão é já uma inevitabilidade, a custo zero.

Aliás, Casillas e Diego Reyes estão nas mesmas circunstâncias, parecendo inevitável as suas saídas. O mexicano, no entanto, sofreu uma desvalorização de 500 mil euros, previsivelmente devido ao facto de ter passado um ano na sombra de Felipe e Marcano.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Rosália Amorim

"Sem emoção não há uma boa relação"

A frase calorosa é do primeiro-ministro António Costa, na visita oficial a Angola. Foi recebido com pompa e circunstância, por oito ministros e pelo governador do banco central e com honras de parada militar. Em África a simbologia desta grande receção foi marcante e é verdadeiramente importante. Angola demonstrou, para dentro e para fora, que Portugal continua a ser um parceiro importante. Ontem, o encontro previsto com João Lourenço foi igualmente simbólico e relevante para o futuro desta aliança estratégica.

Premium

João Gobern

Tirar a nódoa

São poucas as "fugas", poucos os desvios à honestidade intelectual que irritem mais do que a apropriação do alheio em conluio com a apresentação do mesmo com outra "assinatura". É vulgarmente referido como plágio e, em muitos casos, serve para disfarçar a preguiça, para fintar a falta de inspiração (ou "bloqueio", se preferirem), para funcionar como via rápida para um destino em que parece não importar o património alheio. No meio jornalístico, tive a sorte de me deparar com poucos casos dessa prática repulsiva - e alguns deles até apresentavam atenuantes profundas. Mas também tive o azar de me cruzar, por alguns meses, tempo ainda assim demasiado, com um diretor que tinha amealhado créditos ao publicar como sua uma tese universitária, revertido para (longo) artigo de jornal. A tese e a história "passaram", o diretor foi ficando. Até hoje, porque muitos desconhecem essa nódoa e outros preferiram olhar para o lado enquanto o promoviam.