Pinto da Costa e a aposta que quebrou o maior jejum do seu reinado

36 anos de presidência, 13 mandatos e um ciclo inédito de cinco anos sem troféus quebrado sem contratações de renome

Jorge Nuno Pinto da Costa habituou mal as pessoas. Em 36 anos de presidência ganhou tudo o que havia para ganhar a nível mundial no que ao futebol diz respeito. Ao longo de 134 mandatos tornou o FC Porto um clube dominador a nível nacional e muito respeitado no panorama internacional, fruto da conquista de duas Taças/Ligas dos Campeões e de mais duas Ligas Europa, sendo que a primeira ainda tinha o nome de Taça UEFA.

Perante isto tornou-se complicado perceber como é que Pinto da Costa daria a volta a um ciclo de cinco anos sem ganhar. Relembre-se que o último campeonato foi ganho em 2012-13 sob o comando de Vítor Pereira e o último troféu foi a Supertaça em agosto de 2014. Era Paulo Fonseca o treinador e do outro lado o derrotado foi o Vitória de Guimarães de Rui Vitória.

"Ganhando este título não se pode dizer que o FC Porto esteja suficientemente estabilizado para poder vir a ter novo período de sucesso. Não vai ser esta vitória a atribuir a força competitiva que o FC Porto teve há anos", adverte ao DN José Guilherme Aguiar, antigo dirigente do FC Porto que afasta por completo a possibilidade de Pinto da Costa sair agora que conseguiu interromper a seca de títulos: "Sair do FC Porto? Não, não, Pinto da Costa vai continuar para bem do FC Porto, a saída de Pinto da Costa podia ser benéfica para ele mas não o seria para o FC Porto e iria trazer um período de instabilidade que só iria prejudicar."

Ao contrário de outros anos, neste Pinto da Costa fez-se ouvir muito menos. Fosse pela forma assertiva com que Sérgio Conceição interveio publicamente, fosse pelas aparições semanais do diretor de comunicação Francisco J. Marques para comentar temas relacionados com o rival Benfica. Guilherme Aguiar elogia a maneira como Pinto da Costa geriu a sua comunicação. "Foi objetivamente uma intervenção inteligente, porque para o exterior praticamente não falou com raríssimas exceções e sempre que o fez foi no sentido de sublinhar a ambição do FC Porto em ganhar. Para o interior, embora eu não tenha conhecimento absoluto mas conheço o suficiente, apoiou à sua maneira ao longo de todo o trajeto, uma maneira extremamente importante para os jogadores e técnicos", considera Guilherme Aguiar antes de acrescentar um ponto que revela a solidez do balneário portista.

"Durante este período de insucesso não transpirou qualquer reação para o exterior e quando se perde todos sabemos que há sempre alguém a fazer críticas. Mérito da estrutura e aqui tenho de incluir não só o presidente mas todo o staff e ainda o diretor-geral Luís Gonçalves, que só tem o defeito de ser demasiado portista e emocionar--se frequentemente. Foi de uma eficácia a toda a prova no apoio prestado a todo o grupo do futebol, técnicos, médicos e fisioterapeutas, todos foram de tal forma apoiados e protegidos que nada do que se passou, e poderá ter-se passado alguma coisa porque é difícil numa época inteira que não se tenha passado algo anómalo, transpirou para fora. O sucesso do FC Porto passava pelo facto de o balneário ser completamente bloqueado e enclausurado", explica José Guilherme Aguiar.

Pinto da Costa fez com Sérgio Conceição o mesmo que tinha feito com José Maria Pedroto, António Oliveira, Octávio Machado ou Nuno Espírito Santo. Ou seja, apostou num antigo campeão como jogador do clube para colocar a equipa de futebol na trilha do sucesso.

"Tenho a certeza de que Pinto da Costa está muito satisfeito com a aposta que fez em Sérgio Conceição. Não tenho a garantia de que teria sido a primeira opção, mas tenho a certeza absoluta de que quando foi escolhido passou a ser a primeira das primeiras, nem nunca mais houve qualquer dúvida no subconsciente do presidente", considera José Guilherme Aguiar.

Como o DN avançou na sua edição da passada quinta-feira, Sérgio Conceição está a ser assediado pelo Inter de Milão, clube que o tem como prioridade na eventualidade de ser obtido um acordo com o atual técnico Luciano Spaletti. Para mais, na próxima temporada não poderá contar com Casillas, Marcano e Reys, futebolistas que vão deixar o dragão a custo zero. Isto para não falar em futebolistas como Ricardo Pereira, Dalot, Brahimi ou Herrera, jogadores que vão entrar para o último ano de contrato e que os dragões tentarão transacionar neste defeso.

"Acho que Pinto da Costa vai fazer tudo para manter Sérgio Conceição e parece-me uma medida inteligente. Se Sérgio Conceição ficar será difícil ter uma equipa teoricamente tão pouco competitiva como a que teve no início desta época, toda a gente foi unânime em dizer que o plantel do FC Porto era uma manta de retalhos porque não podia investir, foi vivendo do que tinha e provou-se que o que tinha era bom. Havia jogadores que era para saírem em definitivo e que acabaram por ficar", finaliza José Guilherme Aguiar entre mais um elogio a Pinto da Costa e a esperança de que o plantel tenha qualidade para conquistar o... bicampeonato.

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