FC Porto ganha Taça e Jesualdo anuncia renovação

O FC Porto venceu esta tarde a edição 2009/10 da Taça de Portugal, ao vencer o Paços de Ferreira por 1-0, golo de Lisandro logo no minuto seis. No final da partida, na conferência de imprensa, Jesualdo Ferreira anunciou que continuará como treinador dos portistas durante mais duas épocas.

Jesualdo confirmou que o prolongamento do contrato foi acordado com o presidente, Pinto da Costa, após a eliminação da equipa da Liga dos Campeões, em Manchester, num jogo que Cristiano Ronaldo, com um tiro, atirou os portistas para fora da ‘Champions’.

Contudo, segundo Jesualdo, também ficou acordado que o anúncio do prolongamento do contrato só iria ser feito após a final da Taça de Portugal. "O acordo foi selado com um aperto de mão, ainda não foi assinado. Mas, acordámos que só depois da final da Taça (Portugal) seria anunciado. Foi esse o compromisso que assumi com o presidente do clube", disse.

Mais perto do recorde do Sporting

O FC Porto conquistou a sua 14.ª Taça de Portugal ameaçando o Sporting (15 troféus).

O que fez a diferença foi a superior qualidade individual dos portistas em relação aos do estreante Paços de Ferreira, os quais conseguiram, na primeira parte, não apenas equilibrar o jogo como deter a iniciativa em várias fases.

Essa diferença de qualidade traduziu-se sobretudo no penúltimo e último passe ou no último cruzamento e na finalização.

O FC Porto marcou na primeira vez que foi à área do Paços, aos seis minutos, num lançamento longo de Raul Meireles para as costas da defesa pacense a solicitar a desmarcação de Lisandro, que, perante a saída de Cássio, não perdoou.

Em contraponto, o pacense Pedrinha, aos 15 minutos, num lance de ataque envolvente em que a bola rodou do flanco direito até ao esquerdo, "tirou" Fucile da frente dentro da área e, com ângulo muito favorável, espaço e tempo, rematou ao lado.

Aos 41 minutos, outro lance paradigmático: contra-ataque do Paços, situação de três contra três, mas Filipe Anunciação quis "picar" a bola por cima de um adversário a solicitar Cristiano, mas o "chapéu" saiu mal executado.

É verdade que o FC Porto poderia ter acabado com o jogo a um minuto do intervalo: Hulk tinha tudo para fazer o golo e complicou, ao querer ceder a bola a Lisandro em vez de chutar.

A história da primeira parte fez-se com o "onze" de Paulo Sérgio a deter a iniciativa do jogo e o FC Porto a permiti-lo e só a espaços a ser capaz de fazer funcionar as suas rápidas transições ofensivas.

A facilidade com que o Paços chegava à área portista era consequência da inexistência de pressing de um FC Porto em baixa rotação e a dar muitos espaços para o adversário desenvolver o seu jogo.

É um facto que o FC Porto transmitiu sempre a ideia de jogar a um ritmo de acordo com as necessidades do jogo e de que teria capacidade de dar uma "sapatada" nesse ritmo se a isso se visse obrigado.

Na segunda parte, o conjunto de Jesualdo Ferreira meteu outro andamento no jogo e mais pressing sobre o transportador da bola, o que impediu o Paços de Ferreira de fazer o que tinha feito durante toda a primeira parte.

Por outro lado, o facto de o FC Porto ter passado a recuperar a bola numa zona mais adiantada do terreno permitiu-lhe estar sempre muito mais próximo da área contrária e criar mais lances de perigo.

Essa diferença de postura traduziu-se nos primeiros 10 minutos da segunda parte em duas oportunidades flagrantes para o FC Porto, mas Raul Meireles rematou ao poste e Rodriguez, só com Cássio pela frente, não foi capaz de marcar.

Os tetracampeões nacionais controlaram completamente a segunda parte, sem nunca terem necessidade de meter o pé no acelerador e o resultado não foi além do golo madrugador de Lisandro porque Hulk esteve desinspirado em vários lances, que deveriam ter tido outra sequência e finalização.

Na segunda parte, o Paços de Ferreira nunca revelou, como fez na primeira, capacidade para chegar ao empate, mas deu boa réplica e valorizou a final. O detalhe na diferença de capacidade individual entre os seus médios e atacantes em relação aos do FC Porto foi determinante.

Nem mesmo a entrada do goleador William (fez falta na primeira parte), aos 65 minutos, alterou a falta de acutilância ofensiva do Paços no último terço porque nessa altura o FC Porto já não permitia ao Paços de Ferreira chegar à sua área em condições para criar perigo.

Ficha de jogo

Jogo no Estádio Nacional, no Jamor.

FC Porto - Paços de Ferreira, 1-0.

Ao intervalo: 1-0.

Marcador:

1-0, Lisandro, 6 minutos.

Equipas:

- FC Porto: Nuno Espírito Santo, Fucile, Rolando, Bruno Alves, Cissokho, Fernando, Mariano (Tomás Costa, 69), Raul Meireles, Christian Rodriguez (Guarín, 88), Lisandro e Hulk (Farías, 90).

(Suplentes: Ventura, Pedro Emanuel, Guarín, Tarik Sektioui, Farías, Tomás Costa e Sapunaru.)

- Paços de Ferreira: Cássio, Ricardo, Danielson, Kelly, Jorginho, Filipe Anunciação, Dedé (Ferreira, 72), Pedrinha (Chico Silva, 79), Rui Miguel, Prieto (William, 65) e Cristiano.

(Suplentes: Pedro, Chico Silva, Ozeia, Paulo Sousa, William, Ferreira e Carlos Carneiro.)

Árbitro: Paulo Costa (Porto).

Acção disciplinar: cartão a amarelo a Christian Rodriguez (83), Jorginho (86) e Filipe Anunciação (90+3).

Assistência: cerca de 30.000 espectadores.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ricardo Paes Mamede

O populismo entre nós

O sucesso eleitoral de movimentos e líderes populistas conservadores um pouco por todo o mundo (EUA, Brasil, Filipinas, Turquia, Itália, França, Alemanha, etc.) suscita apreensão nos países que ainda não foram contagiados pelo vírus. Em Portugal vários grupúsculos e pequenos líderes tentam aproveitar o ar dos tempos, aspirando a tornar-se os Trumps, Bolsonaros ou Salvinis lusitanos. Até prova em contrário, estas imitações de baixa qualidade parecem condenadas ao fracasso. Isso não significa, porém, que o país esteja livre de populismos da mesma espécie. Os riscos, porém, vêm de outras paragens, a mais óbvia das quais já é antiga, mas perdura por boas e más razões - o populismo territorial.

Premium

João Gobern

Navegar é preciso. Aventuras e Piqueniques

Uma leitura cruzada, à cata de outras realidades e acontecimentos, deixa-me diante de uma data que, confesso, chega e sobra para impressionar: na próxima semana - mais exatamente a 28 de novembro - cumpre-se meio século sobre a morte de Enid Blyton (1897-1968). Acontece que a controversa escritora inglesa, um daqueles exemplos que justifica a ideia que cabe na expressão "vícios privados, públicas virtudes", foi a minha primeira grande referência na aproximação aos livros. Com a ajuda das circunstâncias, é certo - uma doença, chata e "comprida", obrigou-me a um "repouso" de vários meses, longe da escola, dos recreios e dos amigos nos idos pré-históricos de 1966. Esse "retiro" foi mitigado em duas frentes: a chegada de um televisor para servir o agregado familiar - com direito a escalas militantes e fervorosas no Mundial de Futebol jogado em Inglaterra, mas sobretudo entregue a Eusébio e aos Magriços, e os livros dos Cinco (no original The Famous Five), nada menos do que 21, todos lidos nesse "período de convalescença", de um forma febril - o que, em concreto, nada a tinha que ver com a maleita.