Dragões trocaram o passo, caíram e animaram a luta pelo título

Um golo de Miguel Vieira deu os três pontos ao aflito Paços de Ferreira. Brahimi falhou um penálti e ajudou a que o FC Porto perdesse pela primeira vez no campeonato. O Benfica está só a dois pontos e o Sporting pode hoje aproximar-se

A luta pelo título está mais viva do que nunca quando faltam oito jornadas para terminar o campeonato. O FC Porto sofreu ontem em Paços de Ferreira a primeira derrota na Liga, que deixa para já o Benfica a apenas dois pontos e que hoje pode relançar o Sporting nessa luta, podendo ficar a cinco pontos da liderança se vencer em Chaves.

O cenário que se apresentava aos dragões na Mata Real era bastante perigoso, desde logo devido ao mau tempo - muita chuva e vento -, depois pelo estado de algumas zonas do relvado e finalmente pelas ausências de jogadores que têm sido importantes como Alex Telles, Herrera, Marega ou Soares. Além do mais, do outro lado estava um Paços de Ferreira desesperado por pontos - no penúltimo lugar da tabela - que vinha de cinco derrotas consecutivas.

Desde bem cedo se percebeu que ia ser um jogo de muita luta e a verdade é que os pacenses foram quem melhor interpretou as condições do terreno, utilizando uma grande pressão sobre o portador da bola na zona de meio-campo, o que dificultava a ligação de jogo dos portistas. André André e Sérgio Oliveira não conseguiam lidar com o trio de médios adversários e nem Waris (estreou-se a titular na Liga) nem Aboubakar recuavam para ajudar a fase de construção da equipa de Sérgio Conceição.

Aliás, as características destes dois avançados pediam bola na frente para utilizarem a velocidade, mas o estado do terreno e a determinação e rapidez dos defesas pacenses não possibilitavam esse estilo de jogo. A prova disso foi um grande corte de Miguel Vieira logo aos 14 minutos, a evitar que a bola chegasse a Waris, que aparecia em boa posição... este é só um dos muitos exemplos que se verificaram ao longo do jogo.

A equipa de João Henriques apostava nas combinações pelas alas, sobretudo pela esquerda, onde Filipe Ferreira e Quiñones, este adaptado a extremo, se entendiam muito bem no ataque e compensavam-se no momento defensivo. O primeiro sinal do Paços de Ferreira acabou por ser um remate de longe de Pedrinho que Casillas defendeu com dificuldades.

Sem jogar bem e sem conseguir visar a baliza de Mário Felgueiras, o FC Porto foi ganhando vários cantos, mas foi no primeiro a favor da equipa da casa que surgiu o único golo da partida. A defesa portista conseguiu afastar a bola da área, mas Filipe Ferreira avançou pela esquerda e cruzou rasteiro, onde Miguel Vieira desviou ao primeiro poste e abriu o marcador. Até ao intervalo Aboubakar ainda dispôs de duas boas ocasiões para marcar, mas Mário Felgueiras primeiro e o desacerto do camaronês depois valeram aos pacenses.

Após o descanso, a toada do jogo manteve-se, com o FC Porto a ter problemas para dominar o jogo a meio-campo. Percebendo isso, Sérgio Conceição tirou o inofensivo Waris e colocou Otávio, alterando o sistema tático para um 4x3x3, o que ajudou a equipa a ter mais bola e a lançar-se no ataque, com os pacenses a recuar no terreno da defesa da preciosa vantagem. Só que os dragões precisavam de alguém para segurar a bola na frente e, por isso, o treinador voltou à forma inicial lançando o jovem atacante Gonçalo Paciência para o lugar de André André.

É então que surge o momento fatal para o líder do campeonato: Rui Correia derrubou Felipe e o árbitro assinalou o respetivo penálti. Só que Mário Felgueiras adivinhou o lado e defendeu o remate de Brahimi, para desespero de Sérgio Conceição e dos jogadores, que a partir desse momento ficaram cada vez mais ansiosos, o que fez diminuir o discernimento. E a verdade é que, tirando um cabeceamento de Gonçalo Paciência que Felgueiras defendeu quase sem querer, o FC Porto não teve grandes hipóteses de empatar, limitando-se a despejar bolas para a área.

Pelo terceiro ano consecutivo, os dragões não venceram em Paços de Ferreira (um empate e duas derrotas) e João Henriques pode orgulhar-se de não ter perdido com o FC Porto nesta época (já tinha empatado 0-0 pelo Leixões na Taça da Liga). Desta vez, provocou a primeira derrota portista na Liga após nove meses e 21 dias.

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