Jota e André Silva, Lda. numa vitória segura e com brinde de Brahimi

FC Porto venceu 3-0 com dois golos do ponta-de-lança e passes do colega do lado, antes de Brahimi responder com um golo a assobios

Manuel Queiroz
© Estela Silva / Lusa

Uma vitória segura, com uma exibição bem conseguida, e por 3-0, permitiu ao FC Porto dormir junto ao Benfica no topo da classificação. Dois golos de André Silva e um de Brahimi a terminar derrotaram o Arouca, que em fevereiro tinha ganho no Dragão. Os portistas serão pelo menos segundos classificados isolados no final da jornada, dado o empate do Sporting.

Foi talvez a melhor exibição do FC Porto, quatro dias depois de Bruges - é sempre mais fácil quando se encadeiam vitórias e as dúvidas ficam para trás. A equipa defende bem, foi segura, não permitiu nada ao Arouca em 90 minutos, e isso ainda não tinha acontecido nesta época. Marcano e Felipe não são fantásticos mas estão em sintonia, já se conhecem e cometem poucos erros. Com Danilo - belo jogo -, a pressão foi por vezes asfixiante na primeira parte (na segunda o Arouca estendeu-se mais, mas nem assim teve um remate perigoso para Casillas).

O golo portista não chegou cedo, só mesmo sobre o intervalo, depois de uma primeira parte de sentido único em direção à baliza de Bracali. O FC Porto dominava, mas insistia muito nas mesmas jogadas e só melhorou (e marcou) quando Corona passou a jogar atrás dos pontas-de-lança, ele que tinha começado logo com um tiro ao poste (5"). Faltava ainda, à equipa de Nuno Espírito Santo, alguma complexidade no jogo, sendo certo que não era fácil passar aquela defesa reforçadíssima dos homens de Lito Vidigal, que jogava em 9-1, porque só Walter ficava à frente. Todos os outros ficavam ali sobre a entrada da área.

O Arouca vinha de uma eliminação da Taça de Portugal com o Real Massamá, do terceiro escalão, não ganha no campeonato desde a segunda jornada e por isso não está num grande momento - nesse aspeto, era um Arouca completamente diferente daquele que ganhou no Dragão na época passada, nesse jogo estranhíssimo (na jornada seguinte o FC Porto foi ganhar à Luz...). Acresce que o treinador Lito Vidigal tem feito muitas alterações à procura das associações certas, mas na verdade não as tem conseguido. Desta vez Carleto nem no banco, Anderson Luís foi para o banco - ou seja, laterais novos (Gegé e Vitor Costa) -, Nuno Coelho e Adilson logo à frente dos centrais Juba e Hugo Basto, Walter González aparecia na frente com Zequinha de um lado e Mateus do outro. Mas os extremos foram defesas laterais na primeira parte.

O golo chegou tarde, mas era importante numa semana a seguir à Champions. E para a equipa foi importante que nascesse muito da associação dos pontas-de-lança, Diogo Jota a assistir André Silva, depois de erro de Gegé. Mas André Silva finalizou com categoria. Teve tempo, é certo, mas acabou por chutar de pé esquerdo percebendo que era por ali que a bola podia mesmo entrar. E de resto Juba já tinha tirado uma bola em cima da linha (remate de Diogo Jota), Bracali tinha tirado outro golo a Oliver. O FC Porto atacava muito no primeiro jogo sem Otávio, que nem sequer ao banco foi (desgaste?), ele que tem sido o jogador mais criativo da equipa e um dos mais importantes. Mas a equipa conseguiu resolver o problema com outro golo já à entrada dos quinze minutos finais, noutro passe de Jota para a finalização de André Silva.

Brahimi a calar o público

Já estava em campo Brahimi, que precisa de coaching, porque não está bem, não toma boas decisões e já estava a ser assobiado quando conseguiu o golo, numa iniciativa individual que terminou com um tiro na área, sem hipóteses. Pode ter começado ali o renascimento do argelino, com aquele golo nos descontos, porque o talento está lá e toda a gente o sabe. Foi o seu primeiro golo da época, o que é importante, depois de já ter entrado bem em Bruges. Um belo golo e depois um gesto para calar o público - foi de raiva mesmo...