Astúcia de El Zorro deixa rivais entre a espada e a parede

Herrera marca e dá a marcar. Cansaço apertou na segunda parte, mas Aboubakar evitou sofrimento na compensação

David Pereira
© Tony Dias/Global Imagens

Se no fim de semana anterior tinham sido Sporting e Benfica a jogar e vencer primeiro e a colocar pressão sobre o FC Porto, que ainda tinha de ir visitar o sempre complicado Bessa, desta vez os papéis inverteram-se. Entrando em campo primeiro, mesmo sem as 72 horas de recuperação recomendáveis após a receção ao Leipzig (3-1), os dragões levaram a melhor sobre o Belenenses e dormiram com cinco pontos de vantagem sobre os leões e oito sobre as águias, que hoje têm duelos complicadíssimos diante de Sp. Braga e V. Guimarães, respetivamente.

Esses três pontos a mais acabaram por ser mesmo o mais positivo da noite de ontem, a primeira da época em que o Dragão não viu a equipa da casa marcar pelo menos três golos. Na primeira parte, com a irreverência de Hernâni na direita - novidade no onze, a par de Reyes -, os rasgos de Brahimi a espaços na esquerda e a dinâmica imposta por Herrera ao meio, os portistas conseguiram aproximar-se do nível a que têm habituado os adeptos, conseguindo materializar a superioridade em golo à beira do intervalo. Depois de 42 minutos em que uma floresta de pernas e a inspiração de Muriel adiaram o golo inaugural, o médio mexicano aproveitou as sobras de um canto de Alex Telles que percorreu toda a área para balançar as redes.

O intervalo, porém, não fez bem à equipa de Sérgio Conceição. Se o quarto de hora de interregno deveria ter servido para recarregar baterias, a verdade é que os líderes do campeonato acusaram o desgaste ao longo do segundo tempo, o que permitiu ao Belenenses soltar as amarras. Os lisboetas procuraram sair rapidamente para o ataque, chegaram aos últimos 30 metros com alguma facilidade, mas foram tímidos e inconsequentes na zona de definição.

Apesar da falta de engenho e arte dos visitantes, Sérgio Conceição sentiu que devia refrescar a equipa, para não correr riscos desnecessários, e trocou Hernâni por Corona à passagem da hora de jogo, na tentativa de resgatar alguma da dinâmica perdida nos últimos 45 minutos. Contudo, o FC Porto só voltou a ganhar vida com as entradas de Galeno e Sérgio Oliveira, à entrada para a reta final. Com dois novos pares de pernas frescas, os dragões voltaram de uma forma mais vincada ao controlo das operações e agarraram a vitória, dando a estocada final ao cair do pano, pelo inevitável Aboubakar, que faturou pela terceira jornada consecutiva.