Aboubakar abriu cedo as portas dos oitavos

FC Porto é a única equipa portuguesa entre as 16 melhores da prova. Goleada ao Mónaco assegura já 23,7 milhões de euros

A atravessar o maior jejum goleador da época, numa série de três jogos sem marcar que coincidiu com três empates consecutivos do FC Porto (Besiktas, Aves e Benfica), Vincent Aboubakar festejou o reencontro com a sua vítima preferida no futebol europeu e voltou aos golos em dose dupla, desbloqueando a tarefa portista, que assim voltou também aos triunfos e carimbou o apuramento para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões com um folgado 5-2 sobre o Mónaco.

Os dragões rechearam os cofres com mais 7,5 milhões de euros (seis pelo apuramento e 1,5 pela vitória), aumentando as receitas desta Champions para 23,7 milhões, uma soma importante para o sucesso do plano de fair-play financeiro, e marcaram lugar no sorteio da próxima segunda-feira, em Nyon. Mas nem tudo foi perfeito: Felipe viu o vermelho direto num desentendimento com o argelino Ghezzal (também expulso), ainda na primeira parte, e será uma baixa importante para os oitavos-de-final (pelo menos um dos jogos).

Numa noite que começou até com um contratempo para Sérgio Conceição - que viu Otávio, em quem apostara para o onze, lesionar-se no aquecimento e ceder o lugar a André André -, tudo acabou por ser fácil para o FC Porto, contra um Mónaco já sem quaisquer ambições (em último lugar do grupo, eliminado) e com um onze bastante diferente do habitual, como Leonardo Jardim avisara de véspera.

O treinador português do Mónaco aproveitou para proporcionar a estreia na Champions a dois jogadores (Meité e Kongolo), num onze com o português Rony Lopes, mas deixou no banco dois "filhos queridos" do Dragão, Moutinho e Falcao, que receberam uma grande ovação quando entraram, já a meio da segunda parte, após o 4-1. Com a certeza de que uma vitória daria o apuramento, o FC Porto nem chegou a inquietar-se, pois Aboubakar começou a tranquilizar as hostes bem cedo, aos oito minutos, quando o jogo ainda não tinha sequer definido uma tendência. Na sequência de um lance de bola parada (um dos trunfos do dragão esta época), que a defesa do Mónaco aliviou numa primeira fase, Brahimi foi lesto na insistência e apanhou o camaronês isolado. Este não perdoou e assinalou o regresso aos golos, com o seu quarto nesta Champions.

Em vantagem, o FC Porto não precisou de ser brilhante nem de forçar muito o ritmo para controlar completamente as operações, circulando a bola à espera das brechas na defensiva do Mónaco e aproveitando as recuperações para ensaiar transações rápidas, como aquela que resultou no segundo golo de Aboubakar (sexto da carreira contra o clube francês).

O camaronês bisou e aumentou para 17 os golos na época, finalizando uma assistência de Danilo num contra-ataque que começou com um corte de Felipe junto à área portista. Isto foi aos 33", cinco minutos antes de o central brasileiro e o argelino Ghezzal serem expulsos, após desentendimento por uma entrada mais impetuosa do portista. Mas Aboubakar ainda não tinha terminado a sua missão pessoal e, antes do intervalo, trocou de papéis com Brahimi e assistiu o argelino para o 3-0.

Tudo simples, tudo fácil e tudo praticamente sentenciado em 45 minutos. A segunda parte parecia um excesso dispensável nesta partida, mas revelou-se um animado exercício de futebol, com direito a mais quatro golos, repartidos pelas duas balizas. Um penálti duvidoso permitiu a Gilik reduzir para 3-1, aos 61", mas o FC Porto nem chegou a vacilar, pois Alex Telles repôs a diferença quase de seguida num belo remate de fora da área.

Depois, houve ainda tempo para o dragão reviver uma velha imagem muitas vezes celebrada, quando Falcao voltou a reduzir para o Mónaco num cabeceamento na área portista, e para festejar o regresso de Soares aos golos: o brasileiro, que substituíra Aboubakar, fechou o marcador em 5-2.

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