A carreira de Pedroto em cinco 'flashes'

Um recorde pelo craque

O cumprimento do serviço militar levou-o a Vila Real de Santo António e a trocar o Leixões pelo Lusitano. O Belenenses contratou-o aos algarvios em 1950 a troco de 50 contos (25 para o clube algarvio e outro tanto para o jogador) e de um bom emprego na hidroeléctrica do Zêzere. Dois anos volvidos, o FC Porto, que há muito estava interessado no "interior" lamecense, pagou dez vezes mais do que os do Restelo tinham despendido, nada menos do que 500 contos - um recorde de verbas no futebol nacional.

O curso de treinadores

Penduradas as botas, tornou-se um estudioso da táctica e aos 31 anos foi o primeiro português a tirar um curso de treinadores. Graduou-se em França com excelente classificação e, regressado a Portugal, lançou-se na equipa de juniores do FC Porto. Em 1966, surgiu a oportunidade de treinar a equipa principal e conquistou a Taça de Portugal, em 1967/68. Saiu a 11 de Abril de 1969, em ruptura com a direcção de Pinto de Magalhães, após relegar para as reservas quatro jogadores que faltaram a um estágio.

O mentor do Boavistão

Uma passagem profícua pelo comando técnico do Setúbal, que em 1971/72 ficou em segundo lugar no campeonato e deu boa conta de si nas provas europeias, convenceu Valentim Loureiro a contratá-lo, em 1974. Em duas épocas no Boavista, Pedroto teve resultados impressionantes: dois segundos lugares no campeonato e duas Taças de Portugal. Famosa ficou a equipa axadrezada, com João Alves (o "luvas pretas") à cabeça, que lutou até ao fim com o Benfica de Mário Wilson pelo título nacional.

O Verão quente

Na mais histórica clivagem na vida do FC Porto, o designado "Verão Quente" de 1980, Pedroto, entretanto regressado às Antas, manteve-se fiel a Pinto da Costa, contra o presidente portista Américo de Sá (então deputado do CDS), acusado de subserviência aos interesses políticos e desportivos da capital, onde o dirigente passaria a maior parte do tempo, segundo os críticos. Com Pinto da Costa e Pedroto solidarizaram-se 16 jogadores, que não evitaram que ambas as figuras saíssem do clube.

Últimos dias

Voltou pela última vez às Antas em meados de 1982, após a subida de Pinto da Costa à presidência, mas não teve muito tempo para ver florescer o FC Porto. Traído por um cancro, foi internado em Londres, em Janeiro de 1984. Pela televisão, viu a sua equipa jogar a primeira final europeia (Taça das Taças frente à Juventus, 1-2). Em Novembro desse ano levantou-se da cama, pela última vez, para receber em casa o presidente Ramalho Eanes, que o agraciou com a Ordem do Infante D. Henrique.

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