FC Porto-Setúbal à jornada 13: é dia de lembrar Pavão

Quase 36 anos depois da morte de Pavão, ao minuto 13 de um FC Porto-Setúbal, dragões e sadinos encontram-se no Dragão.

Foi ao minuto 13 da jornada 13 da Liga (num FC Porto-Setúbal): "Pavão fez um passe e depois morreu" (escreveu o JN). O jogo repete-se hoje, dia 13, na 13.ª jornada. Por isso, é dia de lembrar o médio portista, que caiu morto no relvado do Estádio das Antas, faz 36 anos na próxima quarta-feira.

Um FC Porto-V. Setúbal é coisa banal no campeonato (61 jogos, 51 vitórias, seis empates e quatro derrotas para os dragões). Mas poucas vezes terá havido a macabra coincidência de, como hoje (20.15, RTP1), dragões e sadinos se encontrem no Porto, à 13.ª jornada, num dia 13.

O 13 do azar de Pavão, então capitão do FC Porto, foi a 16 de Dezembro de 1973. Corria o minuto 13 do jogo com o Vitória: o médio fez um passe para Oliveira, que se desmarcava na direita, e tombou sobre o relvado.

"50 mil pessoas acabavam de ovacionar a sua última jogada. Foi Oliveira quem recebeu o seu derradeiro passe. Da relva para a maca, desta para o balneário e daqui para a ambulância que o conduziu vertiginosamente para o Hospital de São João - foi este, em resumo, o princípio e o fim do drama que enlutou a festa das Antas", resumia, no dia seguinte, o JN.

A festa bem podia ter acontecido no estádio dos azuis e brancos. Após o desfalecimento de Pavão, o jogo continuou normalmente, sem que se soubesse o estado de saúde do médio. Após o apito final, os adeptos do FC Porto podiam festejar a aproximação ao 1.º lugar, com a vitória (2-0) sobre os setubalenses, então líderes da liga. Mas tinham um nó na garganta: Pavão.

O jogador já não acordou da letargia em que caiu, ao tombar no relvado. Mas isso só se soube após o fim da partida. Entre as lágrimas dos portistas - "meu deus, como é triste esta grande vitória" , chorava o defesa Guedes -, o treinador sadino (e ex--dragão) José Maria Pedroto falava do "dia mais triste" da sua vida. "Tão bom e tinha só 26 anos. Vai fazer muita falta" resumia o treinador do FC Porto, Bella Gutmann.

"Nunca devia ter jogado futebol"

Os dias seguintes foram de dor e consternação na cidade do Porto. 30 mil adeptos despediram-se nas Antas do camisola 6 do clube, estreado em 1965, numa vitória sobre o Benfica (2-0).

Pavão (Fernando Pascoal das Neves) nasceu em Chaves, a 12 de Junho de 1947, mas cedo despontou como figura do FC Porto e do futebol nacional. Jogou oito épocas de dragão ao peito e foi internacional por 11 vezes - estreou-se pela equipa nacional A aos 20 anos, no jogo de inauguração do Estádio Salazar, em Lourenço Marques (actual Maputo), frente ao Brasil.

A morte levou-o sem que pudesse ver o FC Porto quebrar a série de 19 épocas sem ser campeão (nessa temporada de 1972/73, os dragões ficaram em 4.º, atrás de Benfica, Belenenses e V. Setúbal). E, após alguma especulação, a causa do falecimento do jogador só foi conhecidas em Janeiro de 1974. Foi estenose aortica, uma patologia do coração, que provocou a sua paragem cardíaca. Com essa doença, "Pavão nunca devia ter jogar futebol", escreveu a imprensa da época.

Exclusivos

Premium

Nuno Severiano Teixeira

"O soldado Milhões é um símbolo da capacidade heroica" portuguesa

Entrevista a Nuno Severiano Teixeira, professor catedrático na Universidade Nova de Lisboa e antigo ministro da Defesa. O autor de The Portuguese at War, um livro agora editado exclusivamente em Inglaterra a pedido da Sussex Academic Press, fala da história militar do país e da evolução tremenda das nossas Forças Armadas desde a chegada da democracia.

Premium

Maria Antónia de Almeida Santos

Dos pobres também reza a história

Já era tempo de a humanidade começar a atuar sem ideias preconcebidas sobre como erradicar a pobreza. A atribuição do Prémio Nobel da Economia esta semana a Esther Duflo, ao seu marido Abhijit Vinaayak Banerjee e a Michael Kremer, pela sua abordagem para reduzir a pobreza global, parece indicar que estamos finalmente nesse caminho. Logo à partida, esta escolha reforça a noção de que a pobreza é mesmo um problema global e que deve ser assumido como tal. Em seguida, ilustra a validade do experimentalismo na abordagem que se quer cada vez mais científica às questões económico-sociais. Por último, pela análise que os laureados têm feito de questões específicas e precisas, temos a demonstração da importância das políticas económico-financeiras orientadas para as pessoas.