FC Porto entre a superação histórica e a eliminação que custa 12 milhões

Dragões obrigados a anular a vantagem do Chelsea (2-0). Taremi está de volta e Sérgio Oliveira em dúvida. Marcar golos e evitar "ir com muita sede ao pote" é a estratégia.

A receita para a passagem do FC Porto às meias-finais da Liga dos Campeões é simples. Marcar golos e não sofrer. Parece uma verdade de La Palisse, mas é realidade depois da derrota por 2-0 na primeira mão. O desafio de hoje frente ao Chelsea (20.00, TVI e Eleven Sports) volta a jogar-se em Sevilha, tal como o primeiro, devido aos constrangimentos provocados pela pandemia, mas Sérgio Conceição espera um jogo de "superação" igual a tantos outros da história do clube azul e branco.

Segundo o técnico, para fazer golos é preciso ser uma equipa equilibrada nos diferentes momentos do jogo, e "sem entrar em muita ansiedade" para não perder o foco. "É importante não entrar com o resultado final na cabeça. (...) Nestes jogos ir com muita sede ao pote pode ser prejudicial, é preciso fazer golo mas também é preciso não sofrer", avisou o treinador portista, que pode chegar pela primeira vez às meias finais da Champions na sua carreira.

Algo que só Artur Jorge (1986-87), Bobby Robson (1993-94) e José Mourinho (2003-04) conseguiram de dragão ao peito. Mas para chegar à meias finais pela quarta vez na história do clube, é preciso fazer algo que nunca foi feito: ultrapassar uma eliminatória após perderem a primeira mão por mais de um golo.

O apuramento seria algo de notável, tendo em conta que os dragões são a única equipa nesta fase fora do chamado big 5. "Cada vez se nota mais este fosso que existe entre os cinco grandes campeonatos em termos de financeiros e os restantes, pelo que é ainda mais de realçar todo o trajeto que esta equipa tem feito na Liga dos Campeões. Queremos ganhar e não podemos apagar o que temos feito na Champions, estamos em Portugal, gastamos o que gastamos, é uma diferença inacreditável em relação aos outros. Mas não é o dinheiro que ganha jogos nem a estatística", disse Sérgio Conceição, lembrando que no encontro da semana passada os dragões "golearam na estatística) e saíram derrotados ( 2-0).

Se nesse jogo Sérgio Oliveira foi baixa por castigo, desta vez o médio está em dúvida devido a lesão: "Vamos ver, no último jogo (Tondela) achei que não estava pronto para os 90 minutos, foi um problema muscular, é sempre perigoso, estamos num momento importante da época. Temos a Champions e o campeonato para disputar, teremos jogos muito exigentes pela frente. Temos de ponderar bem a situação e ver qual é o melhor 11 para defrontar o Chelsea."

A estratégia para levar os blues de vencidos ficou assim no segredo dos deuses, com o técnico a não desvendar se Taremi volta ao onze após cumprir castigo. "Não é com muitos avançados que se ataca melhor, nem com mais defesas que se defende melhor", atirou Conceição.</p>

E poderá a eliminatória com a Juventus nos oitavos de final servir de inspiração? "Nesta época, e nos anos que estamos aqui, temos tido muitos exemplos de superação. Essa crença vem do trabalho que fazemos. Estamos confiantes, sabemos que é um adversário difícil, mas estamos aqui para dar a resposta que temos que dar. Nos mais de 40 jogos que houve esta época fizemos sempre 90 minutos à FC Porto", disse Sérgio, "sem bolinha mágica" para adivinhar a postura do Chelsea na partida, sabendo que tem dois golos de vantagem.

E Tuchel também não ajudou. "Para nós é importante focarmo-nos em nós, jogar da melhor forma possível aumenta as nossas hipóteses de um bom resultado. Em termos de resultado é mais fácil para o FC Porto, porque precisam de marcar três golos para seguir em frente, para eles é óbvio. Se começarmos de forma passiva, podemos perder a cabeça completamente", analisou o técnico do emblema londrino.

Já Thiago Silva, que chegou a treinar no FC Porto no início da carreira, mas não ficou no Dragão, avisou que "nenhuma equipa chega a esta fase da Champions por acaso".

12 milhões em jogo

Em sete jogos, os azuis do Porto têm um histórico desfavorável contra os de Londres, apesar de terem ganho dois jogos na fases de grupos: em 2004 (2-1) e em 2015 (2-1). Na única etapa a eliminar, o Chelsea saiu vitorioso. Aconteceu nos oitavos-de-final da Champions em 2006-07, época em que os blues eram liderados por José Mourinho, depois do treinador português se mudar para Londres, logo após ter levado os dragões à conquista da Liga dos Campeões.>

Desta vez, está em jogo a passagem às meias-finais da prova milionária e mais 12 milhões de euros para os cofres portistas. Depois de eliminarem a Juventus nos oitavos-de-final, os portistas passaram a contabilizar 73,5 milhões, podendo agora superar os 85 milhões.

Repetir os triunfos de 1987 e 2004 permitirá uma verba recorde, superior a 100 milhões de euros. Valor que ajudaria o clube a cumprir o fair-play financeiro da UEFA.

Campeão procura reviravolta

Também hoje, à mesma hora, o campeão em título, o Bayern Munique precisa de vencer em Paris para seguir em frente, uma vez que foi derrotado em casa pelo PSG (3-2). Amanhã, a armada portuguesa do City, liderada por Guardiola, vai querer gerir a vantagem (2-1) sobre o B. Dortmund. Já o Liverpool precisa de vencer em casa, frente a adversários espanhóis, pela terceira vez em três épocas, para recuperar a desvantagem de Madrid (3-1).

isaura.almeida@dn.pt

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