F1 vai começar. Os suspeitos do costume, novas regras e um português a controlar

Mundial de fórmula 1 arranca este domingo no Bahrain. Verstappen (Red Bull) e Hamilton (Mercedes) são os grandes favoritos numa época que terá o português Eduardo Freitas como diretor de corridas.

A temporada de 2021 ficou marcada como uma das mais emocionantes de sempre, com Verstappen a roubar o título a Hamilton na última volta da derradeira corrida, com muita polémica à mistura. O tema ainda está bem vivo na memória de pilotos e fãs, agora que a nova temporada vai começar, num ano com muito sangue novo, novas regras e até um português num alto cargo. A época da F1 arranca já este domingo com a disputa do Grande Prémio do Bahrain e termina a 20 de novembro em Abu Dhabi.

Os grandes favoritos continuam a ser o campeão em título Max Verstappen (Red Bull) e o veterano Lewis Hamilton (Mercedes), numa temporada em que a grelha é uma das mais jovens de sempre, com uma média de idades de 26 anos.

Muitos deles não viram Ayrton Senna correr, e eram crianças quando Hamilton e Alonso venceram as primeiras corridas. Entre os mais jovens, há quatro que podem ser protagonistas nesta temporada - além de Verstappen (24), destacam-se George Russell (24 anos, Mercedes), Charles Leclerc (24, Ferraari) e Lando Norris (22, McLaren).

Os pilotos nascidos na era "pós-Senna" vão conviver no paddock com outros mais experientes, casos de Fernando Alonso, de 40 anos, o mais velho, e ainda Lewis Hamilton (37) e Sebastian Vettel (34). O mais novo nasceu já na década de 2000: Yuki Tsunoda, da AlphaTauri, que tem apenas 21 anos.

Verstappen pôs termo ao domínio de Hamilton, sete vezes campeão do mundo e vencedor dos quatro anteriores títulos (2008, 2014, 2015, 2017, 2018, 2019 e 2020). E volta a ter a companhia do mexicano Sérgio Perez (32 anos) enquanto Hamilton tem, agora, o britânico George Russell (24 anos) a partilhar as boxes da Mercedes.

Russell tirou o lugar ao finlandês Valtteri Bottas, de 32 anos, que foi ocupar a vaga do veterano compatriota Kimi Raikkonen na Alfa Romeo, ao lado de Guanyu Zhou, de 22 anos, o primeiro chinês a chegar à Fórmula 1.

Zhou é o único estreante deste ano, a somar aos regressos do tailandês Alexander Albon (Williams), de 25 anos, e do dinamarquês Kevin Magnussen, de 29 anos, que substituiu o russo Nikita Mazepin na Haas, depois das sanções aplicadas à Rússia e aos atletas russos na sequência da invasão da Ucrânia.

A Haas manteve ainda o alemão Mick Schumacher, de 22 anos, filho do sete vezes campeão mundial Michael Schumacher.

As restantes equipas mantiveram os seus dois pilotos, com destaque para a Ferrari, que procura atacar um título que lhe escapa desde 2007 (com Kimi Raikkonen).

A escuderia do cavallino rampante volta a apostar no monegasco Charles Leclerc e no espanhol Carlos Sainz, filho do antigo bicampeão mundial de ralis com o mesmo nome, tendo aparecido na pré-temporada como uma das equipas mais fortes.

Os pilotos da scuderia italiana só foram batidos na tabela de tempos pelo campeão Verstappen, que vai deixar de lado o habitual número 33 para fazer luzir na frente do Red Bull o 1 reservado aos campeões.

A Alpine, que continua com o veterano espanhol Fernando Alonso, de 40 anos, bicampeão em 2005 e 2006, e com o francês Esteban Ocon, de 25, também deu boas indicações na pré-temporada, assim como a McLaren, que volta a apostar no australiano Daniel Ricciardo (32 anos) e no britânico Lando Norris (21).

A Alpha Tauri (com o francês Pierre Gasly, de 26 anos, e o japonês Yuki Tsunoda, de 21) e a Aston Martin (com o alemão Sebastian Vettel, de 34 anos, um dos quatro campeões presentes, e o canadiano Lance Stroll, de 23, e filho do proprietário da equipa) devem lutar pelos lugares do meio do pelotão, com a Haas, que mostrou evolução, e a Williams.

A formação britânica, uma das históricas do pelotão, começa a época, pela primeira vez, fora do controlo da família de Frank Williams, falecido em 2021, depois de ter sido vendida ao fundo de capital norte-americano Dorilton Capital, em 2021.

Além do regressado Albon, o canadiano Nicholas Latifi, de 26 anos, ocupa o segundo lugar na equipa, depois de em 2021 ter sido o protagonista involuntário da grande polémica da temporada, ao sofrer o despiste que permitiu a entrada do 'safety car' no Grande Prémio de Abu Dhabi. Esse incidente, juntamente com a decisão da direção da corrida, foi decisivo para o desfecho da última corrida e, consequentemente, para a conquista do título por Verstappen.

Refira-se que Vettel não vai poder correr na prova deste domingo. O piloto alemão está com covid-19 e será substituído pelo seu compatriota Nico Hulkenberg.

Novas aerodinâmicas e regras

A temporada que agora começa fica marcada por novas aerodinâmicas nos carros. Desde logo, com o aumento no diâmetro das rodas, que passou de 13 para 18 polegadas. Mas também há alterações ao nível da aerodinâmica, promovidas com o objetivo de permitir que os carros possam rodar mais próximos uns dos outros de forma a estimular as ultrapassagens em pista. A introdução de um longo difusor permite criar o efeito solo, em que os carros são 'sugados' em direção à pista de forma a terem mais aderência.

Os carros serão mais limpos, as asas dianteiras e traseiras mais simplificadas, a estrutura na lateral foi eliminada e as entradas laterais de ar redesenhadas. Nas dianteiras, o bico tornou-se mais baixo, ao estilo dos anos 1990. Alterações que têm como objetivo criar mais equilíbrio e fazer com que a hierarquia de forças se altere entre as equipas. O peso mínimo subiu de 743 kg para 768 kg, em parte devido ao aumento das rodas.

Mas também há um conjunto de novas regras e esta época existirá uma espécie de VAR na fórmula 1. Vão ainda ser proibidas as comunicações diretas das equipas com o diretor da corrida, para proteger este responsável de qualquer pressão. Tudo para que as polémicas da temporada transata não se repitam. A Virtual Race Control Room vai estar em comunicação em tempo real com o diretor de corrida para ajudar a aplicar as regras, utilizando as ferramentas tecnológicas mais modernas.

Esta semana a FIA publicou, ainda, uma alteração aos regulamentos que esclarece a regra do safety car, especificando que todos os carros devem passar pelo líder se for considerado seguro fazer isso, e não apenas alguns. Anteriormente, a regra dizia que qualquer carro com uma volta de atraso poderia passar pelo líder sob condições de safety car durante uma corrida.

Além disso, em 2022 também vai ser ajustada a pontuação nas corridas em que não sejam cumpridas todas as voltas previstas, como aconteceu no Grande Prémio da Bélgica (teve apenas duas voltas devido à intempérie).

Agora, para corridas em que não tenha sido cumprida entre 50% e 75% de distância prevista, a pontuação vai ser ajustada para 19 pontos para o primeiro (e não os 25 de uma corrida completa), 14 para o segundo, 12 para o terceiro, 10 para o quarto, 8 para o quinto, 6 para o sexto, 4 para o sétimo, 3 para o oitavo, 2 para o nono e 1 para o 10.º classificado.

Estão ainda previstas três corridas sprint, em Imola, Áustria e Brasil. E outras das novidades desta época está relacionada com o sistema de pontuações nestas corridas - além dos oito pontos para o primeiro, sete para segundo e seis para o terceiro classificados, a temporada de 2022 distribuirá pontos até ao oitavo classificado.

Um português na direção de corridas

Na direção de corridas vai estar um português. Eduardo Freitas vai desempenhar, de forma alternada com o alemão Niels Wittich, o cargo de diretor de corrida, substituindo o australiano Michael Masi, afastado na sequência das decisões controversas tomadas no Grande Prémio de Abu Dhabi, derradeira prova do campeonato de 2021, em especial a de relançar a corrida na última volta - que estava a decorrer com a presença do safety car -, permitindo a Verstappen ultrapassar Hamilton e conquistar o título mundial.

Eduardo Freitas é um profissional respeitado muito no meio automobilístico, com uma experiência acumulada de 20 anos, durante os quais desempenhou funções de diretor das 24 horas de Le Mans e também no WEC, o Mundial de Resistência.

Em dezembro, uma petição online com mais de 2000 subscritores, já exigia à FIA a substituição de Masi pelo português - o texto falava num diretor "bem respeitado e experiente". "Freitas tem mais de 20 anos de experiência como diretor de corridas de alto nível e é considerado em todo o mundo como uma voz de consistência e autoridade. É vital que a confiança dos espectadores e dos fãs seja restaurada no policiamento das corridas de Fórmula 1, que foi corroída ao longo da temporada de 2021", podia ler-se na petição.

O português sempre foi um apaixonado por motores. Numa entrevista ao Autosport em 2020, contou como em 1977 começou "a fazer arranjos a motores a dois tempos para motorizadas". E como dois anos depois, após ter perdido a adrenalina pela parte mecânica, começou "como aprendiz a desmontar a pista de karting do Estoril".

Depois foi sempre a subir até ao cargo de diretor de provas. "Quando surgiu a oportunidade de ser diretor de corrida numa prova de karting, passei para essa posição. Então, em 2002, quando era chefe do colégio de comissários no Estoril, surgiu a oportunidade de ir para o FIA GT", contou na mesma entrevista. Do FIA GT e ETCC passou para o WTCC [World Touring Car Championship], em 2004, onde ficou até 2009. "Em 2010, a FIA decidiu mudar-me para o Campeonato do Mundo de GT, que só durou em 2011, então fui convidado para vir para o Campeonato do Mundo de Endurance [WEC]. E como sou diretor de corridas de resistência aqui, faço o mesmo trabalho na European Le Mans Series e na Asian Le Mans Series", indicou Eduardo Freitas.

Lewis Hamilton ainda persegue 11 recordes

O britânico Lewis Hamilton (Mercedes) ainda persegue 11 recordes na Fórmula 1, entre os quais o de piloto com mais títulos mundiais, um estatuto que divide com o alemão Michael Schumacher.

Aos 37 anos, Hamilton soma sete campeonatos conquistados (2008, 2014, 2015, 2017, 2018, 2018, 2019 e 2020), os mesmos que Schumacher (campeão em 1995, 1996, 2000, 2001, 2002, 2003 e 2004).

Além dos sete títulos, Hamilton conta 103 vitórias, 182 pódios e 103 'pole positions' em 288 Grandes Prémios disputados.

O triunfo do holandês Max Verstappen (Red Bull) no campeonato de 2022 interrompeu a série de quatro títulos seguidos de Hamilton, retirando a possibilidade de igualar Schumacher, pentacampeão entre 2000 e 2004.

Este ano, Hamilton pode tentar ainda bater o número de vitórias consecutivas numa temporada, que pertence ao alemão Sebastian Vettel (Aston Martin), que, em 2013, venceu nove.

Até agora, o melhor que o britânico conseguiu foram cinco vitórias consecutivas, em 2020, entre o Grande Prémio de Eifel, na Alemanha, e o Grande Prémio do Bahrain.

Hamilton pode ainda superar o número de triunfos seguidos no mesmo Grande Prémio -- conta cinco Espanha, os mesmos que o brasileiro Ayrton Senna no Mónaco.

O britânico aspira ainda a tornar-se no mais vitorioso na mesma pista, num registo em que empata, mais uma vez, com Schumacher, que tem oito vitórias em Magny Cours, em França, contra os oito de Hamilton em Hungaroring, na Hungria.

Este foi outro recorde que Hamilton deixou escapar em 2021, permitindo a vitória do francês Esteban Ocon (Alpine) depois de ter conquistado a 'pole position' no circuito húngaro.

Com seis pódios seguidos, desde o Grande Prémio dos Estados Unidos, em 2021, Hamilton persegue o registo de 19 presenças entre os três primeiros de Schumacher entre 2001 e 2002. Até agora, o melhor que já conseguiu foram 16 pódios seguidos, entre 2014 e 2015, anos em que se sagrou campeão.

Outro dos recordes que lhe tem é o de 'pole positions' consecutivas. O melhor que conseguiu na carreira foram 12 na temporada de 2016, que até culminou com o título do alemão Nico Rosberg, seu companheiro na Mercedes.

Vettel é o dono da melhor marca, com 15 'poles' nas 19 corridas de 2011, ano em que foi bicampeão.

Hamilton empata novamente com Senna nas 'poles' na mesma pista, ambos contam oito - Senna no circuito Enzo e Dino Ferrari, em San Marino e Hamilton em Albert Park, na Austrália, circuito que regressa este ano ao Mundial depois de dois anos de ausência devido à pandemia de covid-19.

Schumacher é o líder nos 'hat-tricks', com 22, mais quatro do que Hamilton, que em 2021 apenas conseguiu juntar 'pole position', vitória e volta mais rápida na corrida na Arábia Saudita. Em 2020 conseguiu o feito em três ocasiões, na Hungria, na Toscana e em Portugal.

Por fim, o outro recorde ainda por bater por Lewis Hamilton é o de 'Grand Chelems', 'pole', vitória na corrida ao liderar da primeira à última volta e ainda anotar a volta mais rápida da corrida. Hamilton soma seis, menos duas do que britânico Jim Clark.

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