"Rui Patrício tem coisas que fazem lembrar Buffon"

Dino Zoff, mítico guarda-redes italiano, diz ao DN que o português "tem qualidade para jogar em qualquer equipa europeia de topo"

Rui Patrício foi considerado pela UEFA o melhor guarda-redes do Euro 2016. Uma distinção que premeia a exibição na final com a França, mas também a grande regularidade com que se exibiu ao longo do torneio.

Dino Zoff, mítico guarda-redes que ao serviço da seleção italiana se sagrou campeão da Europa (1968) e do Mundo (1982), revelou ao DN que ficou "impressionado" com a qualidade do dono da baliza de Portugal. "Eu não o conhecia muito bem, mas neste Europeu foi um guarda-redes fantástico, esteve sempre bem, sobretudo na final, onde fez duas ou três defesas de alto nível", referiu, considerando que se trata de um jogador que "tem qualidade para jogar em qualquer clube europeu de topo" - "não existem muitos guarda-redes com as suas capacidades".

O título de campeão da Europa fez que Rui Patrício conquistasse o seu espaço no futebol europeu, tendo inclusive ontem sido associado ao interesse do Paris Saint-Germain, uma vez que o novo treinador dos campeões franceses, Unai Emery, ficou bem impressionado com as suas exibições durante o Campeonato da Europa. No entanto, a cláusula de rescisão de 45 milhões de euros será, apesar de tudo, bastante alta tendo em conta que se trata de um guarda-redes, o que poderá dificultar uma eventual transferência.

Dino Zoff destaca o "grande trabalho em todos os jogos" em que Rui Patrício participou no Euro, que considera ter sido "muito importante" para o título conquistado por Portugal no Stade de France. E é nesse sentido que assume ter sido "muito justo" o facto de ter sido distinguido como melhor guarda-redes do Euro 2016, tendo por isso feito parte do onze ideal do torneio.

Zoff destaca a tranquilidade

O atributo de Rui Patrício que é mais destacado por Dino Zoff é o facto de ser "um guarda-redes muito tranquilo", o que, em sua opinião, lhe permite "fazer quase tudo bem". O antigo dono das balizas da Udinese, Mantova, Nápoles e Juventus, que foi campeão do Mundo com 40 anos, diz mesmo que o número 1 do Sporting e de Portugal é "muito bom entre os postes, mas também nas saídas" da baliza.

A experiência de Zoff leva-o a assumir que, aos 28 anos, "Rui Patrício está na melhor idade para os guarda-redes", pois é uma altura em que para esse posto específico estes atletas atingem "o ponto mais alto em termos físicos, de personalidade e de estabilidade emocional". "No fundo, é um guarda-redes maduro. Considero que estes são os melhores anos", refere o italiano, com alguma saudade e nostalgia dos tempos em que era um dos grandes guardiões mundiais, que o levou a entrar para a galeria dos melhores de sempre na história do futebol.

O DN lançou ainda um desafio a Dino Zoff. Afinal, o estilo de Rui Patrício faz-lhe lembrar algum outro guarda-redes? A resposta demorou um pouco, mas depressa revelou aquilo que lhe passou pelo pensamento. "Olhe, por ser um guarda-redes tão tranquilo, acho que tem coisas que fazem lembrar o Gianluigi Buffon", atirou, para depressa ressalvar com um sorriso bem sonoro: "Mas o Buffon é melhor!" No entanto, sempre foi dizendo que o guarda-redes português "tem tempo para chegar ao nível" do atual dono da baliza da seleção italiana e da Juventus, que aos 38 anos tem uma experiência acumulada de muitos anos a jogar ao mais alto nível internacional, já com muitos títulos coletivos e individuais conquistados.

Ainda assim, Dino Zoff deixou a certeza de que "só depende dele [Patrício] para chegar ao nível de Buffon". Para já, reforça, "começou a destacar-se a nível internacional", pelo que agora "é só seguir esse caminho" para continuar a evoluir.

Decisivo em três jogos

Além das defesas decisivas na final do Campeonato da Europa, Rui Patrício teve ainda outras exibições muito importantes durante o torneio. Nos oitavos-de-final com a Croácia, quando defendeu uma bola para o poste, instantes antes de Quaresma fazer o 1-0 nos últimos minutos do prolongamento. No jogo dos quartos-de-final, com a Polónia, foi o herói no desempate por penáltis, quando voou para parar o remate de Blaszczykowski, permitindo o apuramento de Portugal. Aliás, esta defesa mereceu, na altura, os mais rasgados elogios.

De resto, dos cinco golos sofridos pelo número 1 da equipa das quinas, dois foram remates que se desviaram em defesas, ambos no jogo com a Hungria, acabando por não ter grandes responsabilidades. A estatística revela ainda que, nos 720 minutos em que foi utilizado (totalista), Rui Patrício fez 20 defesas, das quais 14 foram dentro da grande área nacional, tendo ainda defendido 80% dos remates efetuados à baliza dos novos campeões da Europa.

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