"Ronaldo? Um dia o ketchup vem de vez"

Selecionador conta como Ronaldo convenceu Moutinho a marcar o penálti e diz que já esperava que fosse o País de Gales o adversário

Fernando Santos não se cansa de elogiar Cristiano Ronaldo, o capitão da seleção. Primeiro as diferenças: "Não se deve comparar o Ronaldo de Madrid com o da seleção, temos um Ronaldo fantástico na seleção, que tem sido um exemplo como capitão, pleno de determinação, vontade e querer em fazer bem e ganhar. Tem feito um trabalho fantástico mostrando um enorme altruísmo."

Bem a propósito conta como Ronaldo convenceu João Moutinho a ser um dos marcadores de penáltis no desempate com a Polónia: "O João era um dos elementos destinados a marcar penáltis, mas ele sentia um pequeno desconforto e por isso disse que não tinha a segurança máxima para desempenhar aquela função. O Cristiano disse 'vem que nós temos confiança em ti, marcas bem e vais marcar'. E marcou."

E depois a esperança em que os golos do capitão apareçam, se possível com o País de Gales: "Um dia o ketchup vem de vez."

Sobre o País de Gales, o selecionador revelou que já esperara que fosse esse o adversário de Portugal. "Não fiquei nada surpreendido, sabia da valia do Pais de Gales, mandei dois observadores ao jogo com a Bélgica e tomar atenção ao País de Gales porque pensava que era a equipa que íamos enfrentar e porque a Bélgica tinha alguma debilidades defensivas e que o País de Gales podia aproveitar isso. O País de Gales é a equipa com mais vitórias e golos marcados"

Fernando Santos não quis valorizar as críticas da imprensa francesa a Portugal e admitiu que estava a rezar como se viu numa das imagens do Portugal-Polónia. "Rezo todos os dias, quase o dia todo, sou católico apostólico romano, os homens de fé rezam todos os dias, faz parte do meu habitat natural."

A finalizar Fernando Santos que vai "mexer um bocadinho" o duelo Bale/Ronaldo que será agora o foco para muita comunicação social, principalmente a espanhola.

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'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?