"Não via o Adrien assim tão feliz há muito tempo"

Jeremy da Silva, fisioterapeuta de Mangala, Carriço e do próprio Adrien, diz que a estreia no Euro foi um prémio merecido para o irmão

A família Silva está em festa após ver o seu mais mediático elemento, Adrien, estrear-se, aos 27 anos, numa grande prova de seleções. O capitão leonino foi o único futebolista do meio-campo e ataque português que não foi utilizado por Fernando Santos na fase de grupos, mas com a Croácia aproveitou bem a ausência de João Moutinho.

Jeremy Silva, fisioterapeuta de profissão e irmão do médio, conta ao DN como viu Adrien no final do encontro de Lens. "Ele estava muito feliz, com um grande sorriso nos lábios. Muito cansado, mas feliz. Posso mesmo dizer que acho que não o via assim tão feliz há muito tempo. Ele passou um momento de tristeza depois de ter perdido o campeonato, mas vê--lo com aquele sorriso foi muito bom", refere Jeremy, que esteve no estádio com os "pais e alguns elementos da família francesa". "Infelizmente não estiveram presentes a mulher e os filhos porque o mais pequenino tem ainda poucos meses, mas o Adrien esteve com eles no dia de folga a passear em Paris", acrescenta.

Sacrifícios e orgulho

Se Adrien estava feliz, a família não o estava menos por ver o futebolista alcançar um dos sonhos que perseguia enquanto profissional.

"Sim, houve um pouco de festa, mas nada de euforias. Ficámos felizes pela estreia dele e pelo resultado, claro, mas ainda ninguém ganhou nada. Sentimos um enorme orgulho no Adrien, porque é a recompensa por todo o trabalho que ele tem feito desde as camadas jovens e também pelos sacrifícios dos meus pais. Foi uma noite muito emotiva, ver o Adrien jogar e Portugal passar aos quartos-de-final."

Dois anos sem jogar

Adrien nasceu em França, na cidade de Angoulême, mas foi em Bordéus que passou parte da infância e até da adolescência. Jeremy, tal como o irmão, jogou nas camadas jovens do Bordéus e depois, quando a família regressou a Portugal, representou o Atlético de Valdevez.

"Era médio-centro, como o Adrien, e fui chamado a uma pré--convocatória do Torneio de Toulon, era Rui Caçador o treinador, mas não entrei na lista final. Depois joguei na II Divisão, tive um pré-contrato assinado com o Vitória de Guimarães, mas lesionei-me e perdi a oportunidade", conta. O pior veio depois. "Em Portugal disseram-me que a minha carreira estava acabada, mas consultei um especialista em Bordéus que me operou. Estive dois anos sem jogar. Nessa altura já estudava fisioterapia no Porto, porque queria algo ligado ao futebol. Quando recuperei joguei na III Divisão francesa, o Libourne. Tinha duas funções, jogador e fisioterapeuta. Com o tempo passei a ter apenas uma, fisioterapeuta", refere.

Irmão sem desconto

Depois disso, Jeremy foi fisioterapeuta do Valenciennes, mas "com a descida" deste clube à Ligue 2 percebeu que precisava de "um novo desafio". E então, após passar por "algumas clínicas orientadas para o desporto", montou uma empresa que tem agora "dez elementos" e que está direcionada para quatro vetores: preparação física, osteopatia, nutrição e fisioterapia.

"Sou fisioterapeuta do Mangala, do Kevin Gameiro, do Tremoulinas, do Daniel Carriço, do Boyata e também do meu irmão", explica Jeremy. Portugal é tema de conversa comum com vários deles: "O Mangala fala muito bem de Portugal e diz ter muitas saudades do estilo de vida do Porto. O Gameiro tem um familiar muito afastado que nasceu em Portugal, mas é 100% francês."

Quisemos saber se por ter um irmão na empresa, Adrien tem um desconto, mas, pelos vistos, o fator família não entra em negócios. "Claro que também paga (risos). Nós fazemos um acompanhamento a jogadores, principalmente àqueles que jogam de três em três dias, e que sentem necessidade de trabalhar mais isto ou aquilo. E tem um custo que nem todos podem pagar, porque temos um material muito avançado. Fazemos isto em permanente diálogo com os clubes. No caso do Adrien falamos as vezes que forem precisas com o médico do Sporting ou alguém do departamento clínico", esclarece.

Titular contra a Polónia?

Não é só o irmão e fisioterapeuta que fala com Adrien. Às vezes é também o "treinador", função que Jeremy encarna depois de cada jogo do médio do Sporting e da seleção nacional. "Costumamos falar depois dos jogos, há sempre coisas para melhorar. Quais? Isso não posso dizer (risos). Não sou treinador, não posso ter essa pretensão, mas eu e o meu pai damos-lhe a opinião sobre coisas em que ele pode melhorar e retificar", destaca.

Sobre a possível repetição da titularidade de Adrien, com a Polónia, Jeremy finta e dá uma resposta mais genérica: "A Polónia não vai ser fácil, a Croácia era superfavorita connosco e perdeu, agora somos nós os favoritos, dizem que Portugal já passou, mas este favoritismo é uma armadilha. Vai ser muito complicado."

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