Do falhanço de CR7 ao frango de Navas. Tudo correu mal ao Real

Estratégia de marcação individual traiu Zidane e merengues acabam humilhados pelo rival Barcelona. Blancos já estão a 14 pontos do rival, cada vez mais confortáveis

Os cerca de 650 milhões de espectadores (de 182 países) que assistiram ao clássico de ontem viram os treinadores de Real Madrid e Barcelona abordar o jogo de uma forma cautelosa. Zinédine Zidane abdicou de Isco (e Bale) e surpreendeu ao lançar Kovacic, fazendo do croata um polícia de Messi, numa das várias marcações individuais que implementou. Já Ernesto Valverde privilegiou o equilíbrio defensivo como há muito um treinador do Barça não fazia neste tipo de encontros, com quatro médios e uma zona de pressão mais recuada do que o habitual, à espera do erro do adversário.

Afinal, os catalães entraram no relvado do Santiago Bernabéu com 11 pontos de vantagem sobre o rival, sem qualquer necessidade de correr riscos. Por outro lado, a estratégia do treinador merengue deveria passar por colocar em campo alguns dos seus principais desequilibradores quando já se começasse a sentir o desgaste.

Com estes ingredientes, apesar da qualidade dos executantes e do ritmo elevadíssimo, a primeira meia hora primou pela vertente tática. Nesta fase, a melhor oportunidade para desbloquear o nulo pertenceu a Cristiano Ronaldo (10 minutos), que de pé esquerdo rema- tou... a atmosfera, quando tinha tudo para colocar o Real em vantagem.

O avançado português esteve mais em jogo do que o rival Lionel Messi, mas o argentino mostrou-se sempre mais venenoso. No final da primeira parte, serviu Paulinho de bandeja por duas ocasiões, mas em ambas o brasileiro permitiu defesas de Keylor Navas (30" e 39"). Ainda assim, foi um cabeceamento de Benzema ao poste (42") a fechar a etapa inicial, quando nada fazia prever o que estava para vir.

No segundo tempo, o Barcelona entrou melhor e chegou à vantagem através de uma jogada em que Zidane foi traído pela própria estratégia. Enquanto Rakitic conduzia um contra-ataque, Kovacic deixava o compatriota progredir à vontade para vigiar Messi e só quando o croata dos blaugrana chegou perto da área é que alguém, no caso Varane, se aproximou. O problema é que o francês largou Suárez, e Rakitic passou a bola ao desmarcado Sergi Roberto na direita - Marcelo ainda recuperava a posição -, que assistiu o uruguaio para o golo inaugural.

Os culés ganharam confiança com a desvantagem e chegaram ao 0-2 através de uma grande penalidade que valeu a expulsão de Carvajal e o 54.º golo de Messi em 2017 e o 526.º do argentino com a camisola do Barça - algo que lhe vai dando estatuto de melhor marcador do ano civil, descolando de Cristiano Ronaldo, e de máximo artilheiro das grandes ligas europeias por uma equipa, superando Gerd Müller (Bayern Munique).

La Pulga não se ficou pelo golo e chegou à 200.ª assistência pelo clube ao servir - de pé direito e... descalço - o recém-entrado Aleix Vidal, num lance em que o guarda-redes blanco Keylor Navas manchou a boa exibição até aí, já com Nélson Semedo e André Gomes - ambos estiveram perto de marcar - em campo.

Tudo correu mal ao Real e muito bem ao Barça, que também viu os perseguidores Atlético Madrid e Valência escorregarem nesta ronda.

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