Direito conquista nona Taça e consegue fantástico 'poker'

Os advogados bateram esta tarde Agronomia (30-12) e ao vencerem a quarta final consecutiva em diferentes provas, detêm agora todos os títulos que disputam

Pela primeira vez Setúbal recebeu a grande festa da modalidade da bola oval, com a final da 54.ª edição da Taça de Portugal a ser jogada no complexo do Vale da Rosa e a relevância do momento para a cidade desportiva europeia de 2016 seria mesmo assinalada ainda antes do início da partida com o hino nacional a ser cantado por Toy, uma figura icónica da cidade do Sado.

Pena foi que Direito e Agronomia não estivessem empenhados - ou não tivessem armas suficientes, no caso dos agrónomos - em fazer dos 80 minutos um espetáculo condizente com a importância de uma final da Taça de Portugal, pois o jogo em si foi muito fraco, recheado de faltas (31 no total!) e erros não provocados - e nem a circunstância do muito vento que se fazia sentir pode ser apresentado como atenuante. E quando dois dos melhores quinzes nacionais assim se exibem, na presença do presidente da Rugby Europe, Otavio Morariu, não espanta que a seleção nacional tenha baixado, na semana passada, à 3.ª divisão europeia...

Com o vento pela frente Direito até começou melhor, justificando o seu declarado favoritismo e aos 5 minutos Adérito Esteves recebeu um belíssimo passe em 'off-load' de Luís Portela e, entrando em força, ficou a centímetros da linha de ensaio. Mas da falta no solo decorrente do lance Nuno Sousa Guedes inaugurava o marcador (3-0).

Agronomia reagiu bem, tentando sempre abrir o jogo e privilegiando jogar ao largo para não cair nos braços da mais experiente avançada de Monsanto e aos 11 minutos, a primeira das muitas faltas no chão feitas pelos advogados permitia a Manuel Murteira igualar (3-3).

A equipa da Tapada ocupava mais tempo no meio-campo contrário, mas esta formação de Direito mais uma vez iria mostrar a sua reconhecida eficácia e frieza em partidas deste tipo. Na segunda vez que entrou nos 22 adversários, voltou a marcar. Montada uma sequência de fases, a bola chegou até ao hoje médio de abertura Pedro Leal que, inteligente, percebeu o adiantamento da defesa agrónoma e chutou raso para a corrida do ponta António Ferrador (terá partido, em falta, à frente do seu companheiro...) que voou para fazer os 10-3.

Mas a partir daí, e um tanto incompreensivelmente, Direito deixou de pensar em atacar e dilatar a vantagem, limitando-se a controlar o jogo esperando pela troca de campos ao intervalo que o colocaria a jogar a favor do vento. Sucediam-se as vagas de ataque agrónomo, mas sempre distantes da área de ensaio adversária e nunca muito desafiantes ou causando grandes suores à coesa defesa de Monsanto.

Mas a fortuna de Agronomia para se manter dentro do resultado seria a incrível sucessão de faltas feitas pelos advogados perante o desespero do treinador Martim Aguiar, que ao intervalo diria a um repórter de pista, "não se ganham finais com tantos erros!". Mãos na bola no solo, placador não largando o placado, mergulhos para impedir saída da oval, foras-de-jogo, you name it..., o catálogo de faltas de Monsanto parecia não ter fim. E até ao intervalo originariam seis (!) penalidades tentadas por Murteira que, ao converter metade delas, colocava a sua equipa na frente no descanso por justos, mas curtos, 12-10.

Diferença que logo se percebeu ser demasiado diminuta perante um quinze tão maduro como este Direito e ainda por cima a ser ajudado nos segundos 40 minutos por um elemento-extra e fundamental: o vento.

Logo aos 5 minutos Sousa Guedes penalizou uma obstrução infantil, frontal e a 10 metros dos postes e passava de novo a sua equipa para a frente (13-12). A partir daí e tal como se esperava a 2.ª parte constituiu um 'jogo de sentido só', com os campeões nacionais e ibéricos a empurrarem o adversário para o seu extremo reduto, mas sempre com pouca convicção e ainda menos inspiração. Uma arrancada de Sousa Guedes aqui, uma perfuração de Vareta ali, uma cavalgada de Adérito de vez em quando, mas tudo ações que terminavam travadas pelos corajosos agrónomos, que apesar da sua juventude, iam vendendo bem caro a inevitável derrota.

O jogo arrastava-se sem que Agronomia conseguisse soltar-se e espreguiçar o seu jogo - mas o singelo ponto de diferença podia sempre fazer acreditar... - e só aos 77 minutos Pedro Leal, num bom 'drop', permitiu a Direito respirar melhor com os 16-12 conseguidos.

Mas o jogo não terminaria sem o 'forcing' final dos advogados, que lhes valeria dois ensaios convertidos nos últimos dois minutos de jogo e a construção de um resultado demasiado pesado para o quinze da Tapada que tão bem se bateu, mesmo dispondo de armas tão desiguais.
Primeiro num fantástico lance de José Maria Vareta (um dos mais irrequietos em campo) que rasgou a defesa adversária e fez um soberbo passe interior para o recém-entrado José Luís Cabral, que aos 18 anos se estreava numa final da Taça... e logo com um ensaio. E depois com Adérito finalmente a furar de alto a baixo a defesa agrónoma como faca quente em manteiga no verão e depois a dar a Pedro Leal, que com belo gesto técnico (amaciou a bola com o pé e depois conduziu-a com carinho para o terceiro ensaio da sua equipa) selava os exagerados 30-12 finais que completavam um extraordinário 'poker' para as vitrines de Monsanto: campeonato, Supertaça, Taça Ibérica e Taça de Portugal.

Depois deste triunfo - o quarto em cinco finais com os homens da Tapada -, Direito igualou Benfica e Agronomia como as equipas com mais Taças de Portugal conquistadas (9 cada), seguidas de CDUL (8), Académica (6), Cascais e Técnico (4), Belenenses (3) e CDUP (2).

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