Despedida triunfal de Marit Bjørgen deixou Noruega no topo

Maior figura dos Jogos Olímpicos de Inverno alargou recorde de medalhas, com mais um ouro. "Não podia ter um melhor final", admitiu

Sobraram ovos e faltaram sapatilhas douradas nos Jogos Olímpicos de Inverno em que a Noruega bateu quase todos os recordes. Pyeong-Chang 2018 terminou ontem, com o adeus triunfal de Marit Bjørgen: a atleta mais medalhada de sempre conquistou mais um ouro, na última prova da competições (30 km de cross-country), deixando os noruegueses no topo do medalheiro - à frente dos alemães.

Marit Bjørgen, de 37 anos, teve direito a uma despedida à medida da sua aura lendária. A esquiadora norueguesa, detentora desde quarta-feira do recorde de medalhas em Jogos Olímpicos de Inverno, ganhou a 15.ª do currículo, saboreando o ouro individual que lhe faltava em 2018. "É incrível. Terminar assim os meus últimos Jogos é fantástico. Não podia ter um melhor final", festejou, depois de vencer a prova de 30 km de cross-country (esqui de fundo), com 1.49,5 minutos de avanço sobre a finlandesa Krista Parmakoski e 1.58,9 sobre a sueca Stina Nilsson.

O triunfo da dama de ferro devolveu a Noruega ao topo do medalheiro de PyeongChang 2018 - após a Alemanha a ter ultrapassado, nas últimas horas, com a conquista do título olímpico de bobsleigh em bob de 4. Alemães e noruegueses terminaram com 14 ouros, igualando o recorde do Canadá em Vancouver 2010. No entanto, os nórdicos ganharam mais pratas (14) e bronzes (11): com um total de 39 medalhas, alcançaram um máximo histórico em Jogos Olímpicos de inverno.

O sucesso foi tanto (e tão inesperado) que a comitiva norueguesa - que fora notícia no início dos Jogos por ter encomendado, por lapso, 15000 ovos (quando, na verdade, só pretendia 1500) - esgotou as sapatilhas douradas que mandara fazer para oferecer aos seus medalhados. "Só apontávamos para 30 medalhas. Agora, faremos os possíveis para dar sapatilhas a todos", justificou Nils Roine, responsável pelo departamento de comunicação do Comité Olímpico da Noruega.

Na base do melhor desempenho de sempre do país nórdico (a maior potência dos desportos de inverno) esteve, acima de tudo, Marit Bjørgen (cinco medalhas). A esquiadora - regressada à ribalta após uma para gem para ser mãe (Marius, primeiro filho da relação com Fred Børre Lundberg, antigo multimedalhado olímpico de combinado nórdico, nasceu em 2016) - deixou a Coreia do Sul com dois ouros (estafeta de 4x5 km e 30 km), uma prata (15 km skiathlon) e dois bronzes (10 km livres e sprint por equipas).

Gold Marit - que pôs um ponto final no percurso iniciado em Salt Lake City 2002 (no total, oito ouros, quatro pratas e três bronzes) - não só bateu o recorde de pódios do compatriota Ole Einar Bjørndalen em Jogos Olímpicos de inverno (13) como foi a atleta mais medalhada em PyeongChang 2018. Atrás dela, ficaram, com quatro pódios, as suecas Charlotte Kalla (um ouro e três pratas) e Stina Nilsson (um ouro, duas pratas e um bronze) e o russo Alexander Bolshunov (três pratas e um bronze), todos do cross-country.

Rússia: suspensão mantém-se

Assim, Marit Bjørgen acabou como a maior figura de uns Jogos Olímpicos onde o compatriota Johannes Høsflot Klæbo (cross-country) e o francês Martin Fourcade (biatlo) ganharam três medalhas de ouro. Os dois, como os consagrados Marcel Hirscher (esqui alpino), Shaun White (snowboard), Yuzuru Hanyu (patinagem artística), Ireen Wüst (patinagem de velocidade) e Laura Dahlmeier (biatlo), e os promissores Redmond Gerard (snowboard), Chloe Kim (snowboard), Alina Zagitova (patinagem artística) e Ester Ledecka (esqui alpino/snowboard), estiveram entre as principais figuras da competição.

De resto, ontem, dia em que o Comité Olímpico Internacional (COI) manteve a suspensão da Rússia (admitindo o seu levantamento caso não surjam novos casos de doping), houve outras decisões. A Suécia venceu o torneio de curling feminino (8-3 sobre a Coreia do Sul) e os atletas olímpicos da Rússia - a competirem sob bandeira olímpica - ganharam o de hóquei no gelo masculino (4-3 sobre a Alemanha, após prolongamento).

Depois, caiu o pano sobre "os Jogos dos novos horizontes" - como lhes chamou o presidente do COI, Thomas Bach, na cerimónia de encerramento. Após PyeongChang 2018 (ainda há Jogos Paralímpicos de Inverno, de 8 a 18 de março), segue-se Pequim 2022.

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