Crise na velocidade. O pior ano dos 100 metros desde 2004

Quebra de rendimento e retirada de Usain Bolt coincidem com recorde anual mais modesto dos últimos 13 anos. Melhor marca para Coleman e título mundial para Justin Gatlin

O ano que está prestes a terminar não vai ser recordado pelos melhores motivos pelos amantes das provas de velocidade do atletismo. O recordista mundial e vencedor de tudo o que havia para ganhar nos anos anteriores, Usain Bolt, retirou-se das pistas, mas não sem antes exibir um nível de desempenho furos abaixo daquele que fez dele uma estrela planetária.

Habituado ao ouro, o jamaicano não foi além do bronze na prova de 100 metros nos Mundiais de Londres, palco de uma despedida inglória do velocista de 31 anos da alta competição, até porque se lesionou na estafeta 4x100 m, aquela que, ao que tudo indica, terá sido a última corrida da carreira.

Sem Lighting Bolt ao melhor nível, e com nomes como Asafa Powell, Tyson Gay e Yohan Blake em curva descendente, a melhor marca do ano foram uns modestos 9,82 segundos obtidos por Chris Coleman, nas meias-finais dos Campeonatos Universitários dos Estados Unidos, em Eugene, no estado de Oregon, a 7 de junho.

O registo fez do jovem norte--americano de 21 anos o 9.º melhor de todos os tempos, mas de 2017 o pior ano da velocidade na última década. Afinal, desde 2004 que a marca anual não era tão modesta e desde 2007 que a média de melhores tempos dos primeiros dez do ranking anual não estava tão perto dos dez segundos (ver quadro).

O ano que está prestes a terminar poderá ter marcado o fim da era dourada da velocidade, na qual Usain Bolt estabeleceu o recorde do mundo em 9,58 segundos (Berlim, 2009), seguido dos 9,69 obtidos pelo norte-americano Tyson Gay (Xangai, 2009) e pelo jamaicano Yohan Blake (Lausana, 2012). Ainda longe destes números, Coleman terá de provar que pode prolongar o período dourado da especialidade. A seu favor, conta com a tenra idade - ninguém com 21 anos correu tão rápido na história do atletismo.

Além dos três nomes mencionados, para subir na hierarquia dos melhores de todos os tempos, o jovem natural de Atlanta, no estado de Geórgia, terá de descolar do tobaguenho Richard Thompson (9,82, obtidos em Port of Spain, Trinidad e Tobago, em 2014) e superar o jamaicano Steve Mullings (9,80 em Eugene, 2011), o norte-americano Maurice Greene (9,79 em Atenas, Grécia, 1999), o jamaicano Nesta Carter (9,78 em Rieti, Itália, em 2010), o mentor e compatriota Justin Gatlin (9,74 em Doha, Qatar, em 2015) e o jamaicano Asafa Powell (9,72 em Lausana, 2008).

Apesar da marca anual, Coleman não conseguiu juntar o primeiro lugar do ranking de 2017 ao título mundial, alcançado de forma surpreendente por Justin Gatlin, que aos 35 anos se tornou o campeão mundial mais velho da distância, silenciando o público londrino que o vaiava por ter acusado positivo em testes de doping por duas vezes na carreira.

Os 9,92 segundos que garantiram o ouro a Gatlin fizeram dele o campeão mundial de 100 metros mais lento desde 2003 - em igualdade com Blake em 2011 (Daegu) -, quando Kim Collins, de São Cristóvão e Nevis, conquistou o título em Paris com 10,07s.

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