Corrupção na II Liga: "salários em atraso são uma das razões mais importantes"

Para o treinador Vítor Oliveira, os salários em atraso podem ajudar a perceber o fenómeno da corrupção. O Clube Oriental garante ter os salários em dia

O treinador português Vítor Oliveira defendeu esta terça feira que só clubes com salários em dia devem ser autorizados a competir nos campeonatos profissionais e não se mostrou surpreendido com as suspeitas de corrupção que afetam o futebol português.

"Uma das razões mais importantes para este fenómeno tem a ver com os salários em atraso. Há clubes que não pagam há dois, três meses e os jogadores, com responsabilidades ao fim do mês, ficam mais frágeis", afirmou o treinador, à margem do Congresso Internacional de Futebol, na Maia.

O Clube Oriental, despromovido da II Liga de futebol ao Campeonato de Portugal, assegurou esta tarde ter os ordenados em dia e lamentou as declarações do treinador do Desportivo de Chaves, Vítor Oliveira.

No comunicado publicado na sua página oficial no Facebook, o clube lisboeta reagiu aos comentários do técnico.

"Essas mesmas insinuações, nomeadamente proferidas pelo treinador Vítor Oliveira, não correspondem à verdade no que diz respeito à realidade do Clube Oriental de Lisboa, um emblema cumpridor dos seus deveres para com os seus atletas e que não tem, nem teve, vencimentos por liquidar com os seus jogadores", lê-se na página do 23.º e penúltimo classificado do segundo escalão.

Na mesma mensagem, o clube "lamenta profundamente as palavras do treinador Vítor Oliveira, personalidade conceituada e com responsabilidades no futebol nacional", prometendo que "tudo fará em prol da defesa da verdade desportiva".

No sábado, a Polícia Judiciária deteve 15 pessoas no âmbito da operação 'Jogo Duplo', por suspeitas de manipulação de resultados de jogos da II Liga, com recurso ao aliciamento de jogadores, e que começaram hoje a ser ouvidos em primeiro interrogatório judicial, em Lisboa.

"Acompanho isto com muita tristeza. Espero que nada se prove contra estas pessoas. O futebol não precisa disto", afirmou Vítor Oliveira.

Entre os detidos estão quatro jogadores do Oriental e quatro da Oliveirense, o presidente e um diretor do Leixões, além de outras cinco pessoas suspeitas de viciação de resultados, relacionada com as apostas desportivas.

Caso se confirmem as acusações, o treinador Vítor Oliveira, que conduziu o Desportivo de Chaves à subida à I Liga, apela a medidas extremamente duras. "Caso se prove que há corrupção e que a hipótese da alteração de resultados é real, então as pessoas devem ser severamente punidas", disse, acrescentando que é imperativo que "a Liga tome medidas, para que só participem nos campeonatos profissionais os clubes que cumpram com todos os critérios".

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