Correr sete maratonas e viajar 40 mil quilómetros em sete dias

Norte-americano Michael Wardian foi o vencedor da World Marathon Challenge deste ano, competição que se disputa em seis continentes ao longo de uma semana

Carlos Lopes, o melhor maratonista português da história, precisou de duas maratonas para bater o recorde europeu, quatro para alcançar a medalha de ouro olímpica, em 1984, e seis para melhorar o recorde mundial que o próprio havia fixado. São seis corridas que marcaram a carreira do atleta português. Mas o World Marathon Challenge, formato criado em 2015, propõe metas mais exigentes: sete maratonas em sete dias... espalhadas por seis continentes.

O norte-americano Michael Wardian foi o vencedor da terceira edição desta exigente prova de maratonas, que obriga os participantes a viajarem cerca de 40 mil quilómetros de avião no espaço de uma semana, além de terem de cumprir 42,195 quilómetros diários a correr.

A competição iniciou-se a 23 de janeiro e teve como palco inaugural o glaciar da Antártida, onde os participantes começaram por correr sob temperaturas negativas de 25 graus. Esta etapa é considerada a de maior exigência, tanto que o vencedor da primeira edição, David Gething, admitiu que era uma experiência para não repetir. "Perdi parte dos dedos porque ficaram congelados, e dei cabo dos tendões nos pés", lamentou.

Mas Michael Wardian é um ultramaratonista bastante experiente e conhecido nos EUA. O atleta de 42 anos conseguiu terminar o evento com uma média de 2 horas, 45 minutos e 56 segundos por maratona, bem inferior à marca média de 3 horas, 32 minutos e 25 segundos estabelecida por Daniel Cartica no ano passado.

Ao longo da competição, que reuniu 25 homens e oito mulheres, as temperaturas variaram 45 graus de uma corrida para a outra: a segunda etapa decorreu em Punta Arenas, no Chile, seguindo-se a passagem por Miami, na América do Norte, e Madrid, na etapa europeia.

Os atletas comem e dormem durante as viagens de avião, e tiveram como palco da quinta corrida Marraquexe, em África. A penúltima etapa decorreu no Dubai, na Ásia, e a corrida terminou novamente em Sydney, na Austrália, tal como já havia acontecido no ano anterior.

Uma corrida (muito) cara

Apesar da elevada exigência, que implica um total de 295 quilómetros no espaço de sete dias, apenas um dos 33 participantes não conseguiu terminar todas as maratonas. O número de participantes é particularmente baixo por se tratar de um evento inacessível a atletas amadores: o preço de inscrição é de 36 mil euros, despesa que inclui os preços das viagens e de alojamento. Ainda assim, trata-se de uma quantia só ao alcance de atletas profissionais ou com altos rendimentos fora do atletismo.

Michael Wardian foi tricampeão nos 50 quilómetros dos EUA, entre várias conquistas em solo norte-americano, que fazem dele um dos ultramaratonistas mais destacados no país, embora nunca tenha testado palcos Europeus, Mundiais ou Olímpicos. Wardian é conhecido por correr várias maratonas no espaço de poucos dias e nunca ter preferido apostar em seguir uma carreira mais disciplinada no atletismo - concilia a corrida com a profissão de agente marítimo, é vegetariano e garante nunca ter pensado em metas mais exigentes.

"Sim, dizem-me que podia ser o tipo que corre a maratona em duas horas e pouco. Mas isso se calhar significa correr apenas uma ou duas por ano, guardar-se para os grandes eventos. Então e se se lesionam e falham uma? Está o ano perdido. Há tantas oportunidades para correr, e eu quero aproveitar o máximo. Adoro a sensação de correr, de resistir e de cortar a meta. Gosto de testar os meus limites, não apenas numa corrida mas no máximo que conseguir fazer", destacou.

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