"Conseguimos sair do deserto"

A piloto portuguesa escreve a sua última crónica desde o Rali Oilybia de Marrocos, no qual competia em camiões. A aventura acabou com uma desistência, após duas noites com o camião atascado nas dunas

Ao fim de 52 horas, das quais 11 em resgate, com duas noites bastante frias pelo meio, conseguimos sair de uma situação muito complicada. Sem a minha assistência teria sido, provavelmente, impossível. Eles são muito unidos e dedicados à equipa. Se não aparecemos no acampamento eles ficam logo prontos a sair com o camião de assistência.

O Jorge agarra os seus telefones das redes locais e começa a falar com a organização e connosco fazendo o balanço do que é necessário fazer, o Pedro e o Hélder preparam o camião para que esteja pronto para uma saída rápida.

As organizações não são todas iguais e não reagem todas da mesma maneira aos problemas. Mas desta vez percebemos, passado umas horas, que a solução tinha de passar só pela nossa equipa. O Jorge contactou uma equipa local que tinha uma retroescavadora 4x4 e felizmente estavam relativamente perto de onde estávamos, pois a nossa assistência encontrava-se a 450km de nós.

Tiveram de gerir connosco vários problemas, entre eles o abastecimento de água e comida. Aos poucos tudo se foi resolvendo. Temos a sorte de ter uma equipa de assistência dedicada, experimente e resiliente.

Seria injusto não falar do Marco, que é o mecânico de corrida e de assistência, um dos pouco neste meios a acumular funções. O meu profundo agradecimento a eles, que são imprescindíveis ao meus sucessos e à resolução dos meus problemas.

Estes ralis acabam sempre por ter a sua quota parte de imprevistos. Temos que estar preparados para tudo, mas a verdade é que estas situações nunca são fáceis de gerir. Contamos que a sorte esteja do nosso lado na próxima corrida. A todos os leitores do DN que nos seguiram nesta aventura o meu obrigada e um até breve.

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